Coluna Boa Terra (Por Valdemir Santana) - Edição do dia 6/9

Duas décadas de prosa e polêmica


Tribuna da Bahia, Salvador
06/09/2017 13:49 | Atualizado há 19 dias, 10 horas e 55 minutos

   

Caetano Veloso achou pouco toda aquela polêmica que causou nos anos há duas décadas com o livro “Verdades Tropical” e acaba de fazer o relançamento. “A edição comemorativa de 20 anos do seu livro, que já está disponível em pré-venda, tem novidade: capitulo novo e capa nova”, avisa a produção do artista na pagina da “Uns Produções”, das redes sociais. Se for apenas isto, não assusta. 

Mas basta rever a história do livro para achar curioso. O crítico marxista Roberto Schwarz, disse no ensaio "Verdade Tropical: Um Percurso do Nosso Tempo" que o livro seria história da conversão de um "menino portador de inquietação" de província a um "novo Caetano", que "festejou a derrocada da esquerda como um momento de libertação”. O trecho do comentário foi reproduzido no jornal Folha de São Paulo há cinco anos. Agora é só esperar o revival.

A viagem de um rei da Itália que dançou jazz na Bahia 

A visita do príncipe Umberto di Savoia à Bahia, na década de 1920, colocou Salvador no centro do noticiário internacional por um tempo enorme e deu visibilidade sem limites à economia e política do estado. Faz parte de uma historia que é lembrada terça feira, dia 12, com filme e palestra da brazilianista italiana Antonella Rita Roscilli e do acadêmico Edvaldo Machado Boaventura no “Instituto Geográfico e Histórico da Bahia”. O evento faz parte de um seminário do “IGHB”. 

O filme “O Príncipe herdeiro da Itália em terras do Brasil”, de 1924, é inédito na Bahia e tem direção de Alberto Botelho, do Rio de Janeiro. Faz parte da série “Documentários Silenciosos Brasileiros”, com restauro pela Cinemateca Brasileira de São Paulo. A chegada do príncipe que se tornou o Rei da Itália em 1946 foi a glória para o banqueiro Francisco Marques de Góis Calmon. Ele acabara de assumir o governo da Bahia depois que o mito José Joaquim Seabra deixara o palácio para entrar na história.

Na época com vinte anos de idade, e elogiado pela beleza no cenário europeu, o herdeiro do trono da Itália, chegou como representante de uma dinastia de primeiro nível, que esbanjou poder na Europa por mais de 900 anos. Umberto dí Savoia fez duas visitas a Salvador, em julho e setembro de 1924. Não  pisou no Rio de Janeiro, a então capital federal, muito menos em São Paulo, com sua riqueza emergente. Preferiu a rota Dakar, Salvador, Buenos Aires e Montevidéu, coberto de flash da mídia bem hollywoodiana.

Séquito de cavalos brancos e carros de luxo 

São poucas e boas as histórias da visita do futuro rei da Itália a Salvador na delirante época entre guerras. Uma delas é que levou as it-girls da cidade à loucura, dançando jazz no “Clube Baiano de Tênis”, um dos mais exclusivos da época no Brasil. Na primeira viagem não quis saber de mansões ou hotel especial. Subia e descia todo dia do navio San Paolo atracado no cais de Salvador ao lado do San Giorgio. As autoridades iam esperá-lo em séquito de carros de luxo, os precursores dos limousines, protegidos por seguranças em cavalos pretos e brancos. 

O destaque em elegância do grand monde na Bahia era a figura requintada de Maria Amélia Calmon Teixeira, filha do governador Góis Calmon. As socialites de plantão eram um caso à parte nos figurinos. Nas fotos antigas aparecem co vestidos longos, chapéus que se usa em ambientes fechados, e o incrível visual de quem seguia o padrão Paul Poiret de elegância. Ele foi o estilista das melindrosas.

Também na fila dos notáveis o cônsul da Itália na Bahia, Ferdinando Scaldaferri, pai do artista plástico Sante Scaldaferri que morreu em Salvador em maio do ano passado como um destaque da cultura no Brasil. O rei fez bonito na Bahia, mas não se pode dizer o mesmo, tempos depois como o Rei Umberto II, da Itália. Ficou um mês no trono, foi derrubado pelos radicais e até hoje é conhecido como o Rei de Maio. 

Cardápio italiano e clima de festa lúdica 

Além dos brindes entre amigas, a festa para comemorar o aniversário da advogada e professora de Direito Karla Borges de Melo Almeida no “Ristorante Alfredo di Roma”, anteontem, ganhou clima lúdico, com uma divertida garrafa de champanhe inflável qu7e passou de mão em mão.  A tarde, que teve como anfitriãs a dupla formada pela empresaria Elba Andrade e a consulesa da Suíça Lila Moraes Kunz teve quase uma centena de convidadas. 

Na turma de amigos, estavam Maria Helena Araujo Mendonça, Cristina Martins com a mãe dela Juca Moniz Barreto Lisboa, a arquiteta Ana Paula Teixeira Magalhães, Jaqueline Costa Lino, Leda Barreto de Araújo, Maria Carmem Barros, Fabiana Pelegrino, Helena Fialho, Monica Sarti, Almir Oliveira, Adriano Grangeon, Silvia Magalhães, Tatiana Paraíso, Moema Pitanga, Moema Ribeiro, Adélia Estevez, Regina Weckerle, Rita Moraes e Ivana Paixão. 

No Paraíso os brindes ficam mais conta 

Nem parece que o réveillon no sul da Bahia sempre foi considerado um dos mais caros do Brasil. Em algumas festas o pacote com hospedagem chegou a bater a marca de R$ 100 mil, como aconteceu há dois anos, no exclusivo “Uxua Casa Hotel’. Segundo o site “G1”, em agosto de 2015, sessenta por cento das reservas estavam vendidas, com o preço de R$ 118 mil. Este ano dá para brindar com as mãos para o céu. Pelo menos no pacote que a agencia “Líder turismo” acaba de anunciar nas redes sociais. Sete dias e sete noites no resort com grife francesa, por R$ 6,7 mil.


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