Solar Amado Bahia foi arrematado por R$ 1,5 milhão

Quem arrematou o imóvel pode dar qualquer uso a estrutura, desde que conserve as características históricas e culturais do casarão que é tombado pelo Iphan


Tribuna da Bahia, Salvador
07/10/2017 14:32 | Atualizado há 12 dias, 2 horas e 41 minutos

   
Foto: Romildo de Jesus

Por Yuri Abreu

Histórico casarão de dois pavimentos localizado na orla da Ribeira, em Salvador, o Solar Amado Bahia foi arrematado pelo valor de R$ 1,5 milhão em um leilão realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-BA), no Fórum do Comércio, também na capital. O bem foi adquirido por uma pessoa física.

Durante o evento, segundo o Tribunal, foram oferecidos bens penhorados em processos trabalhistas. O pregão foi encerrado com a arrematação de 44 lotes penhorados, que movimentaram um total de R$ 1.790.883,60, a fim de liquidação de dívidas em processos trabalhistas. 

Boa parte deste valor, ainda conforme o TRT, foi proveniente da venda do Solar Amado Bahia (R$1,5 mi), executado em um processo trabalhista (0026700-19.1992.5.05.0005 RT) contra a Associação dos Empregados no Comércio da Bahia. O leilão aconteceu na última quarta-feira, dia 4 de outubro.

Quem arrematou o imóvel pode dar qualquer uso a estrutura, desde que conserve as características históricas e culturais do casarão que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan).

Reportagem da TB esteve no local no final de julho

Em matéria produzida pelo repórter Adilson Fonseca no final do mês de julho, a TB já havia noticiado o leilão do Solar que foi tombado, conforme a reportagem, no ano de 1981 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e que foi construído pela família de Amado Bahia, entre 1901 e 1904, como residência.

Segundo relato, “o prédio, que consta como tendo sido doado à Associação dos Empregados do Comércio da Cidade do Salvador , em 1949, guarda no seu interior o melhor do luxo trazido da Inglaterra no início do século passado. Foi penhorado no ano passado, contudo, pela Justiça do Trabalho, por questões trabalhistas”.

À época, o processo trabalhista foi movido contra esta associação que ocupava o imóvel, há cerca de cinco anos abandonado. De acordo com o TRT, o Solar de dois pavimentos possui diversos elementos decorativos importados da Europa do século XIX, é uma casa totalmente envolvida de varandas de ferro fundido. 

“Tem uma escada na lateral direita também de ferro e piso de mármore de Carrara. Seu salão principal é todo revestido de espelhos franceses. Aliás, todo o material de acabamento é importado, como as pastilhas coloridas das varandas; o assoalho de pinho-de-riga; os vidros gravados da França e as peças de louça da Inglaterra”, descreveu a assessoria de imprensa do Tribunal, no site oficial.

O imóvel

Segundo informações do TRT, o casarão, de construção iniciada em 1901, o Solar foi projetado pelo arquiteto português Francisco Mendonça e inaugurado em 1904 com pompa para os casamentos das filhas do proprietário, o comerciante Francisco Amado Bahia, que deu o próprio sobrenome à edificação.

Já em 1949, o local foi doado à associação, após a morte do patriarca para que servisse à instalação de um hospital, o Sanatório Amado Bahia, o que não ocorreu. Em 1966, a beneficiária funda a Escola Amado Bahia, desativada após o tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), a partir daí sofrendo depredação e até a ocupação por parte dos militantes do Movimento Sem-Teto.


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