Rui Costa aposta em derrota de aliados de Temer

A declaração do governador, também, é uma cutucada no seu provável adversário na disputa pelo Palácio de Ondina, o prefeito de Salvador, ACM Neto


Tribuna da Bahia, Salvador
08/02/2018 07:36 | Atualizado há 13 dias, 2 horas e 11 minutos

   
Foto: Divulgação

Por Rodrigo Daniel Silva

O governador Rui Costa (PT) apostou, ontem, que os aliados do presidente Michel Temer (MDB) vão ser derrotados nas eleições deste ano. Isto porque, segundo ele, o eleitorado votará “maciçamente” para mudar a política atual. “A ideia que vai mover as pessoas [na eleição] não é a de manter aliados de Temer [no poder]. Se você perguntar em qualquer estado do Brasil se votaria em aliado de Temer, dificilmente a resposta seria sim. Acho que as pessoas votarão maciçamente para mudar a política econômica, mudar as coisas para melhor”, afirmou o petista, em entrevista à rádio Metrópole. 

A declaração do governador, também, é uma cutucada no seu provável adversário na disputa pelo Palácio de Ondina, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). O democrata ajudou Temer a chegar à Presidência e o seu partido tem apoiado o governo do emedebista. Aliados de Rui Costa, no entanto, têm dado, do mesmo modo, suporte ao presidente, entre eles, o deputado federal Cacá Leão (PP) – filho do vice-governador João Leão (PP). Ainda na entrevista, o petista voltou a tecer críticas à parte dos membros da Justiça brasileira. Para ele, magistrados e integrantes do Ministério Público tratam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com “exceção para impedir a candidatura”. “Desde Getúlio Vargas, ninguém foi tão perseguido como Lula. Nenhum brasileiro está acima da lei, agora, todos eles, sem exceção, merecem ser tratados dentro da lei”, disse. 

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) manteve a decisão do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância, e ampliou a pena de nove anos e seis meses para 12 anos e um mês para Lula. Com a permanência da punição, o ex-chefe do Palácio do Planalto deve ter a candidatura indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base na Lei da Ficha Limpa. Rui Costa fez questão de ressaltar que a chapa, que deve ser encabeçada por ele, vai se “alinhar com a posição que quer fazer o Brasil voltar a crescer, superar essa velha política praticada tanto por quem tem cabelo branco, quanto cabelo preto”. Disse, ainda, que, na eleição deste ano, o brasileiro terá que decidir entre “políticos que fazem demagogia, politicagem e pensam no interesse patrimonial” ou “gente séria para resolver o problema do Brasil”.  O governador fez duras críticas ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), que deve disputar o Palácio do Planalto. “Nunca votaria em quem prega uma sociedade de ódio, agressão a jornalistas. Espero que não cresça [nas pesquisas]”, pontuou. 

Governador pede leis mais duras para combater crimes

O governador Rui Costa voltou a pedir, ontem, penas mais duras para combater a criminalidade. Segundo ele, hoje os infratores “saem dando ‘adeusinho’ da delegacia”, antes mesmo do policial, que fica na unidade “preenchendo o requerimento”. “Sou defensor de mudar a lei de execução penal. Sou contra alguém que tira a vida de outra pessoa ter regressão de pena. Mata o pai, a mãe e com três anos está em liberdade provisória. Prende e solta. Não é possível. O criminoso que foi pego com arma, assaltando, ele sai antes da delegacia que o policial. Sai dando ‘adeusinho’ e o policial fica preenchendo requerimento e o cara sai antes. Isso desestimula a ação policial”, afirmou, em entrevista à rádio Metrópole.

O governador ainda criticou o instituto da audiência de custodia que, segundo ele, na Bahia, tem colocado 62% dos presos em liberdade. Rui defendeu que o governo federal se empenhe mais na segurança pública. “Não é possível mais o governo federal fingir que não tem nada a ver com segurança dos estados. A força de Segurança Nacional é composta por agentes estaduais, não tem um federal nessa força. Chamam militares dos estados para a Força Nacional, que de Força Nacional não tem nada. É preciso ter uma política nacional de segurança”, salientou. 


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