Vereadora sugere aumento nas penas para racismo e injúria racial

Segundo Ireuda Silva, “a Justiça beneficia o racista, e isso não vamos aceitar mais”


Tribuna da Bahia, Salvador
13/03/2018 10:19 | Atualizado há 11 dias, 3 horas e 35 minutos

   
Foto: Divulgação

A vereadora Ireuda Silva (PRB), vice-presidente da Comissão da Reparação na Câmara Municipal de Salvador (CMS), protocolou dois projetos de indicação ao presidente da República, Michel Temer (MDB), com o intuito de garantir a efetividade das penas por injúria racial e racismo. Em relação ao primeiro crime, a republicana propõe a alteração do Art. 140 do Código Penal, § 2º, para que se aumente a pena mínima para dois anos e a máxima para quatro anos, além de multa. Já sobre o segundo, pede que a pena mínima suba para três anos e a máxima, para cinco. 

“A legislação sobre os crimes de injúria racial e racismo é fraca e confusa, e dá margem a interpretações que favorecem quem comete tais crimes. Ninguém de fato vai preso por racismo. Atualmente, a Justiça beneficia o racista, e isso não vamos aceitar mais”, questiona Ireuda.

Autora da lei que instituiu em Salvador o Dia Municipal de Combate ao Racismo no Esporte (26 de agosto), a vereadora avalia que episódios de discriminação racial têm ganhado cada vez mais repercussão na imprensa e nas redes sociais, ao passo que também tem crescido o repúdio por parte da sociedade. Por isso, acredita ela, a necessidade de leis mais eficientes e penas mais duras é ainda maior. “E o mundo esportivo merece especial atenção, considerando a quantidade absurda de casos e a omissão deliberada por parte dos clubes, das torcidas e das entidades ligadas ao esporte”, diz Ireuda, que cita dados alarmantes: o Observatório contra a Discriminação Racial no Futebol registrou 35 casos de racismo apenas no primeiro semestre de 2017, 40% a mais quem todo o ano de 2016. 

Em 2018, uma das últimas ocorrências data do último dia 4 (domingo), quando uma torcedora do botafogo chamou um jogador do Flamengo de “neguinho safado”. “Uma das piores faces do racismo é a hipocrisia e a falta de percepção de si mesmo. A mulher racista em questão é negra, mas, aparentemente, se vê como caucasiana. Sinceramente, não consigo compreender”, diz Ireuda.

Compartilhe       

 





 

Notícias Relacionadas