Ceasa do CIA pede socorro

Os sanitários não funcionam por falta de limpeza e manutenção, e quando chove a rede de água e esgoto entope


Tribuna da Bahia, Salvador
10/04/2018 14:05 | Atualizado há 12 dias, 2 horas e 47 minutos

   
Foto: Romildo de Jesus

Por Licio Ferreira

Maior centro de distribuição de hortifrutigranjeiros do Estado, a Ceasa-Bahia, localizada às margens da estrada CIA-Aeroporto (BA 526), está vivendo dias difíceis. A feira é todo dia, de domingo a domingo, começando sempre a partir das três horas da manhã.

No local, onde são comercializados, em média, 140 itens que compõem a cadeia de produtos, tais como tomate, abóbora, cebola, cenoura, chuchu, batata, ovos, banana, laranja, manga, melancia, abacaxi, mamão e maçã, os “ratos vivem em cativeiros e as baratas circulam sem pagar pedágio”,

Esta informação - expressa em chacota - é do permissionário Nilton Nascimento, 32 anos, que vende banana prata e da terra, numa ‘pedra’, espaço no chão do galpão, onde os produtos agrupados por tipo de mercadorias são colocados à venda para comercialização livre.

A Ceasa-Bahia ocupa uma área privilegiada com 934 mil metros quadrados abrigando 14 galpões. Sete Permanentes (GPs) e sete Não Permanentes (GNPs). A forma utilizada na ocupação dos seus espaços é através do pagamento da TPRU - termo de permissão remunerada de uso, existindo também um rateio das despesas comuns, que são tratadas como taxa de condomínio.

Mudanças

Com 45 anos de atividade (fundada em 28 de março de 1973), a Ceasa-Bahia  entrou em processo de liquidação após a reforma administrativa feita pelo governador Rui Costa no início de 2015.

Saiu das mãos da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e caiu nos braços da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic), conforme decreto publicado no Diário Oficial do Estado. 

Segundo o documento, a Sudic teria a responsabilidade de gerir o estabelecimento mediante parcerias com o setor privado. Na ocasião, a autarquia tinha prazo de 180 dias, para  tomar as providências necessárias. 

No entanto, os anos se passaram  e a Ceasa-Bahia continua à deriva. Quem trabalha no local se queixa da falta de manutenção do espaço. Água empossada, buracos, lixos, estrutura do telhado degradada, muitos ratos e baratas. Sem contar com a grande quantidade de pombos. 

Precariedade

A iluminação do local também está precária. ”Para a gente ter a balança funcionando eu tive que fazer um ‘gato’, diz Edésio Joaquim dos Santos, 50 anos, que atua comercializando bananas há quase duas décadas. “Pagamos condomínio e muito pouco recebemos de beneficio”.

Segundo Edésio, os sanitários não funcionam por falta de limpeza e manutenção. “Tudo o que quebra aqui, fica no jeito que está. Quando chove a rede de água e esgotos entope e nós ficamos boiando junto com os produtos”.

Ao seu lado Nilton Nascimento reforça as queixas: “Se hoje eu tivesse que dar uma nota, a Ceasa não merecia nem um quatro. Eu pago por quatro metros quadrados um total de R$400 reais por mês para viver nesta sujeira e cercado por matos”.

Ciente dos seus direitos e deveres, o comerciante  Nilton Nascimento faz queixas e  comentários para  reduzir o estado de depredação que a Ceasa-Bahia está vivendo. “Temos muito pouca gente e muito poucos carros para recolher o lixo. Por isto este local permanece assim insalubre”.

Limitações

Principal gestor pelo equipamento, o superintendente da Sudic, Eugênio Burgos reconhece as limitações para oferecer as qualidades exigidas no local tanto pelo público quanto pelos comerciantes. “Temos uma área de 96 hectares, sem muros de proteção e sem um sistema de segurança com monitoração via TV”.

Ao elencar as dificuldades, Eugênio Burgos cita ainda que a Ceasa-Bahia tem hoje 1.200 pontos de vendas entre os boxes fixos e as ‘pedras’. Além desses comerciantes, outros 450 pagam uma diária de R$25 reais para vender suas mercadorias no mesmo espaço.

O dirigente da Sudic anuncia que a intenção do Governo do Estado é realizar uma Parceria Público Privada (PPP) ou abrir uma concessão para um grupo que queira explorar o potencial da Ceasa-Bahia. “São 50 mil toneladas/mês de produtos que entram aqui, sendo 75% (por cento) de hortifruti”.

Degradação

Sobre a limpeza, fato que causa mais degradação ao espaço, o gestor diz que ela é feita diariamente a partir das dez horas da manhã. E que por volta das 16 horas, cerca de 80% (por cento) do local já está limpo. Nesta ação trabalham 35 funcionários apoiados por três carros. “Às terças, quintas e sábados nós completamos a limpeza de toda área”.  

Eugênio Burgos tem planos para alavancar o espaço. “Falta aqui um Banco de Alimentos para selecionar produtos, ainda em bom estado, para doar às instituições de caridade credenciadas; um sistema de compostagem para transformar os produtos já vencidos em adubo orgânico; e a ordenação e monitoração do trânsito nas vias internas”.

Reconhece ainda Eugênio Burgos, que a segurança é totalmente falha. “Pequenos roubos e presença de usuários de drogas é um fato corriqueiro no nosso dia-a-dia . Temos apenas 15 homens terceirizados na segurança de todo este complexo. E contamos com um posto da Policia Militar na entrada. O que é muito pouco”.

Outro ponto que está merecendo atenção da Sudic é a notificação do Ministério Público quanto à prática de trabalho infantil no local. O órgão questiona a presença de crianças e adolescentes que exercem atividades remuneradas, em condições consideradas insalubres, colocando em risco suas vidas. Muitos dos jovens que trabalham no espaço são os responsáveis pelo sustento de suas respectivas famílias. 

Histórico

A Ceasa da estrada CIA-Aeroporto impressiona pelos números. O local é responsável por 10 mil postos de trabalho direto e nos dias de maior movimento chega a receber 20 mil pessoas. 

Em novembro de 1991, a Ceasa-Bahia, que fazia parte da estrutura da Secretaria da Agricultura, foi incorporada à Ebal - Empresa Baiana de Alimentos S.A, vinculada a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE).   

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