Em dia de tombo do PIB, Guedes pede 'solidariedade' para retomada rápida da economia

IBGE divulgou nesta sexta (29) que PIB encolheu 1,5% no primeiro trimestre, devido aos efeitos iniciais da pandemia. Ministro disse que é 'cretino' quem ataca governo ao invés de ajudar

Tribuna da Bahia, Salvador
29/05/2020 13:39 | Atualizado há 1 dia, 11 horas e 37 minutos

   
Foto: Reuters

O ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu nesta sexta-feira (29) compreensão e solidariedade para que a retomada da economia, após a crise do coronavírus, seja mais rápida no país.

Guedes fez a declaração pouco depois de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 1,5% no 1º trimestre, na comparação com os três últimos meses de 2019.

Em dia de tombo do PIB, Guedes pede 'solidariedade' para retomada ...

PIB encolhe 1,5% com pandemia e economia regride ao patamar de 2012 (Foto: reprodução)

O resultado reflete apenas os primeiros impactos da pandemia do novo coronavírus, e coloca o país à beira de uma nova recessão, uma vez que a expectativa é de um tombo ainda maior no 2º trimestre.

“Precisamos de cooperação, colaboração, compreensão, solidariedade", disse o ministro durante um seminário virtual.

Se referindo aos recentes conflitos do presidente Jair Bolsonaro com outros poderes, como o Judiciário, Guedes apontou que disputas são "naturais" nesse período, mas defendeu trégua neste momento de crise senão "o barco naufraga."

"É natural que nessa ansiedade, cada um ao seu estilo, um pisa no pé do outro. E quem foi pisado vai empurrar de volta. Agora, acabou. Um deu o empurrão, tomou o empurrão de volta. Todo mundo remando para chegar na margem. Quando chegar na margem, começa a briga de novo. Pode brigar à vontade na margem. Se brigar a bordo do barco, o barco naufraga”, disse.

Nas últimas semanas, o presidente Jair Bolsonaro se envolveu em conflito com diversas autoridades e instituições do país. O presidente, por exemplo, criticou governadores por adotarem, seguindo recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), medidas de isolamento e restrição para evitar o avanço rápido da covid-19. Bolsonaro defende a retomada de todas as atividades para evitar impactos negativos na economia e no emprego.

Mais recentemente, o presidente fez duras críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devido a decisões que o contrariaram, como a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, apontada pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro como prova da tentativa de Bolsonaro de interferir na Polícia Federal; e a ação de busca e apreensão, dentro do inquérito que apura ataques ao Supremo e divulgação de informações falsas na internet, que atingiu aliados do presidente e defensores do seu governo.

Reação em "V", em "U" ou em "L"

De acordo com o ministro, "depende de nós mesmos" determinar como será a reação da economia no pós-pandemia.

Guedes apontou que há três opções: a chamada retomada em forma de "V", que seria a mais rápida; a retomada em forma de "U", um pouco mais lenta; ou então a economia pode se comportar como na forma da letra "L" que, segundo o ministro, significa "cair e virar depressão.

“Só depende de nós. Só depende de nós. Pela terceira vez, só depende de nós", disse o ministro. "Prefiro ainda trabalhar com o 'V', pode ser um 'V' meio torto, caiu rápido e vai subir um pouco mais devagar, mas ainda é um 'V'”, declarou.

Guedes acrescentou que, em sua visão, é preciso aperfeiçoar as instituições democráticas neste momento e disse ser "cretino" quem ataca o governo ao invés de ajudar nesse momento de crise.

“Se, em vez disso, nos jogarmos uns contra os outros, atrapalharmos uns o trabalho dos outros, incriminarmos uns aos outros em vez de entender que isso veio de fora, o vírus veio de fora e está atacando o mundo inteiro. É cretino você atacar o governo do próprio país em vez de ajudar em um momento desse”, afirmou.

Sobre o debate em torno da priorização da saúde, ou da economia, o ministro afirmou que é “natural” alguém achar que um aspecto é mais importante, mas avaliou que os dois são complementares.

“Alguém acha que a asa esquerda é mais importante, outro acha que é a asa direita. O pássaro não voa sem as duas asas. As pessoas não vão conseguir tocar uma economia preocupados com a saúde. As pessoas não vão conseguir salvar a saúde se também destruírem a economia. O pássaro, para voar, precisa das duas asas: da saúde e da economia”, disse.

Retorno ao trabalho

Na visão do ministro da Economia, está na hora de lançar o “sinal” de protocolos para um retorno seguro ao trabalho, que será feito “de forma segmentada, por unidades geográficas”, quando a questão de saúde permitir.

“No caso de indústrias que souberam se proteger, a construção civil está funcionando em 93% da capacidade produtiva, com 55 mil pessoas trabalhando nas obras e 10 mortes. Trágicas, porque cada morte é um universo que se extingue (...) Mas o fato é que, se 55 mil pessoas estão na construção civil e 10 vidas se apagaram, estão fazendo alguma coisa certa no protocolo de trabalho”, declarou.

De acordo com ele, esse retorno ao trabalho, de forma responsável, pode preservar vidas.

“Estão possivelmente até protegendo mais vidas do que está acontecendo em comunidades pobres, onde há o isolamento, distanciamento, mas 8, 9, 10 pessoas em uma casa só. Um sai para fazer uma coisa, outro sai para fazer outra, e no final podem até se contaminar com mais velocidade do que o trabalhador que está indo para um lugar que está tomando conta da saúde. É testado, monitorado, e tratado, só depois volta. Ele pode estar sendo bem tratado”, disse.


Alexandro Martello, G1

Compartilhe       

 




Notícias Relacionadas

ECONOMIA | 27/05/2020 14:18 - Há 3 dias, 10 horas e 59 minutos
Compras com cartões crescem 14,1% no primeiro trimestre, diz Abecs
revisão é que setor de meios eletrônicos feche ano com saldo positivo

ECONOMIA | 27/05/2020 14:10 - Há 3 dias, 11 horas e 6 minutos
Artigo: É como se estivéssemos no mundo das sombras dele próprio
Por: Gerson Brasil

ECONOMIA | 26/05/2020 06:30 - Há 4 dias, 18 horas e 47 minutos
Petrobras prevê vender fatia na Braskem até início de 2021
De saída: para vender sua parte, Petrobras espera que Braskem migre para o Novo Mercado da Bolsa

ECONOMIA | 21/05/2020 06:30 - Há 9 dias, 18 horas e 47 minutos
Dificuldade de acesso a crédito emergencial piora cenário para empresas
O Sebrae aponta que cerca de 80% dos pequenos negócios não conseguiram nenhum tipo de crédito com os bancos


ECONOMIA | 19/05/2020 10:10 - Há 11 dias, 15 horas e 6 minutos
Para empresários, 'pandemia política' no Brasil atrasa retomada da economia
Sem ministro definido e um plano para enfrentamento da pandemia, surgem dúvidas sobre o ritmo da retomada da economia e quando investir

ECONOMIA | 18/05/2020 06:30 - Há 12 dias, 18 horas e 47 minutos
'Quem me conhece sabe que eu sou duro na queda', diz Guedes
Apesar dos sinais de que passa por um processo de "fritura", Guedes não parece convencido de que chegou a hora de deixar o governo

ECONOMIA | 15/05/2020 09:30 - Há 15 dias, 15 horas e 47 minutos
Caixa diz que 2ª parcela do auxílio emergencial sai na semana que vem
Anúncio foi feito durante transmissão ao vivo, ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Banco passou duas semanas sem liberar parcela de R$ 600 a famílias mais afetadas pela pandem

ECONOMIA | 14/05/2020 13:39 - Há 16 dias, 11 horas e 37 minutos
''Vai faltar dinheiro para pagar o servidor público'', diz Bolsonaro
O presidente ainda se dirigiu aos líderes estaduais pedindo que repensem as atitudes de enfrentamento ao vírus

ECONOMIA | 14/05/2020 09:30 - Há 16 dias, 15 horas e 47 minutos
Governo vê tombo recorde de 4,7% para PIB este ano e retorno a nível pré-crise só em 2022
Nas contas da Secretaria de Política Econômica, a recomposição para valores pré-crise, de dezembro de 2019, virá somente em 2022

Mais sobre