Trump anuncia entrada de viajantes vindos do Brasil por causa de coronavírus

Estrangeiros que tenham passado 14 dias no Brasil não poderão ingressar no país, com algumas exceções, segundo decreto assinado pelo presidente Donald Trump. Neste domingo, Brasil registrou mais mortes por Covid-19 do que EUA

Tribuna da Bahia, Salvador
26/05/2020 06:30 | Atualizado há 1 dia, 18 horas e 32 minutos

   
Foto: Reuters

Os Estados Unidos anunciaram neste domingo (24) que irão barrar a entrada de pessoas vindas do Brasil por causa da pandemia de coronavírus, através de um decreto assinado pelo presidente Donald Trump. A entrada passa a ser proibida a partir do dia 29 de maio.

Trump já havia cogitado tomar a medida há alguns dias, devido ao aumento do número de casos no Brasil, que ocupa o segundo lugar entre os países com mais pessoas contaminadas, atrás justamente dos EUA. Neste domingo, porém, o número de mortes registrado no Brasil (653) foi maior do que nos Estados Unidos (638), segundo a universidade Johns Hopkins.

"Estamos considerando isso", disse Trump a repórteres na Casa Branca, em 19 de maio. "Não quero que as pessoas venham aqui e infectem o nosso povo", afirmou.

"Hoje o presidente tomou a ação decisiva para proteger nosso país, ao suspender a entrada de estrangeiros que estiveram no país durante um período de 14 dias antes de buscar a admissão nos Estados Unidos", diz um comunicado deste domingo da secretária de imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany.

“A ação de hoje irá garantir que estrangeiros que estiveram no Brasil não se tornem uma fonte adicional de infecções em nosso país. Essas novas restrições não se aplicam aos voos comerciais entre os EUA e o Brasil", acrescenta a nota.

Segundo uma alta autoridade do governo, "o presidente conversou com o presidente Jair Bolsonaro duas vezes nos últimos dois meses sobre sua luta compartilhada contra o Covid-19. Agradecemos a resposta regional em andamento do Brasil e dos países parceiros dos EUA para ajudar a proteger os interesses públicos dos Estados Unidos e de seu povo".

"Os Estados Unidos apreciam a estreita coordenação do Governo do Brasil no combate à pandemia e reconhecem seus esforços para fazê-lo dentro de seu país"

"Os Estados Unidos doarão 1.000 ventiladores para o Brasil para ajudar nas necessidades de saúde. Essas restrições de viagem são projetadas para proteger os cidadãos dos Estados Unidos e do Brasil e não refletem de forma alguma uma redução no forte relacionamento bilateral entre nossos dois países", diz o comunicado.

A cada semana, mais de 1.500 passageiros chegam a aeroportos dos EUA vindos do Brasil. Entre 11 e 17 de maio, cerca de 1.800 viajantes do Brasil entraram nos Estados Unidos.

Os voos entre os dois países no momento estão bastante reduzidos. Atualmente, os únicos estados dos EUA que ainda operam voos com origem e destino ao Brasil são Texas e Flórida.

Exceções

A restrição não será aplicada a pessoas que residam nos Estados Unidos ou sejam casadas com um cidadão americano ou que tenha residência permanente no país, Filhos ou irmãos de americanos ou residentes permanentes também poderão entrar, desde que tenham menos de 21 anos.

Membros de tripulações de companhias aéreas ou pessoas que ingressem no país a convite do governo dos EUA também estão isentas da proibição.

Neste domingo, os Estados Unidos resgitravam 1.635.192 casos de Covid-19 e 97.599 mortes pela doença, segundo a universidade Johns Hopkins. Já o Brasil tinha 347.398 casos e 22.013 mortes.

Poucos voos

Trump falou em restringir a entrada de viajantes do Brasil pela primeira vez em 28 de abril, quando disse que acompanhava "de perto" o que chamou de "surto sério" de novo coronavírus no Brasil.

"O Brasil tem um surto sério, como vocês sabem. Eles também foram em outra direção que outros países da América do Sul, se você olhar os dados, vai ver o que aconteceu infelizmente com o Brasil", disse Trump naquele dia.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, estava na reunião com Trump e disse que ainda não via necessidade de suspender de vez os voos de Miami e Fort Lauderdale ao Brasil. Porém, o presidente insistiu: "Se precisar [interromper voos], nos avise".

No dia seguinte, porém, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, afirmou que queria retomar as viagens aéreas entre Brasil e Estados Unidos - que estão bastante reduzidas - para "recuperar a economia".

'Nada específico'

Filipe Martins, assessor especial da presidência brasileira para assuntos internacionais, usou seu perfil em uma rede social para comentar o decreto de Trump.

"Ao banir temporariamente a entrada de brasileiros nos EUA, o governo americano está seguindo parâmetros quantitativos previamente estabelecidos, que alcançam naturalmente um país tão populoso quanto o nosso. Não há nada específico contra o Brasil. Ignorem a histeria da imprensa", escreveu.

Anteriormente, os EUA já tinham proibido a entrada de pessoas provenientes de outros países devido à pandemia de coronavírus: da China (excluindo Hong Kong e Macau), do Irã, de países europeus membros da zona Schengen, do Reino Unido e da Irlanda.

Esse ponto foi ressaltado na resposta do governo brasileiro, enviada ao G1 pelo Itamaraty. As autoridades brasileiras também destacaram a cooperação do governo dos EUA à presidência brasileira no combate à pandemia e disseram que "as restrições não afetam o fluxo de comércio entre os dois países".

"A decisão do governo dos EUA baseou-se em critérios técnicos, que levam em conta uma combinação de fatores tais como os casos totais, tendências de crescimento, volume de viagens, entre outros.

A restrição americana tem o mesmo propósito de medida análoga já adotada pelo Brasil em relação a cidadãos de todas as origens, inclusive norte-americanos, e de medidas semelhantes tomadas por ampla gama de países.", diz a resposta do Itamaraty.

"Brasil e Estados Unidos têm mantido importante cooperação bilateral no combate à Covid-19. Já foram foram anunciadas doações norte-americanas de cerca de US$ 6,5 milhões para os esforços brasileiros de mitigação dos impactos à saúde e socioeconômicos da Covid-19. No dia de hoje, 24 de maio, representantes da Casa Branca anunciaram, ademais, doação de 1000 respiradores ao Brasil", diz ainda a nota.

Compartilhe       

 




Notícias Relacionadas

MUNDO | 22/05/2020 15:28 - Há 5 dias, 9 horas e 34 minutos
Teste inicial de vacina chinesa induz criação de anticorpos
Estudo acompanhou 108 voluntários saudáveis e trouxe resultados promissores em menos de um mês

MUNDO | 07/05/2020 15:03 - Há 20 dias, 9 horas e 59 minutos
Saiba o que muda nos planos de saúde durante a pandemia do Covid-19
No âmbito da saúde, muitas dúvidas surgiram sobre os planos de saúde

MUNDO | 01/05/2020 15:55 - Há 26 dias, 9 horas e 7 minutos
Bahia ultrapassa três mil casos confirmados de coronavírus; número de mortes chega a 114
Das oito mortes registradas nas últimas horas, sete ocorreram em Salvador. Foram cinco homens e três mulheres, a mais jovem delas com 42 anos

MUNDO | 22/04/2020 11:26 - Há 5 dias, 13 horas e 36 minutos
Brasil segue EUA e deixa de apoiar medida da ONU contra Covid-19
Apenas Brasil, Estados Unidos e outros 12 países, entre os 193 membros da ONU, deixaram de patrocinar a resolução


MUNDO | 05/04/2020 07:00 - Há 22 dias, 18 horas e 2 minutos
Alemanha, França e Brasil acusam os EUA de 'desviar' equipamento médico
Autoridades alemãs dizem que 200 mil máscaras teriam sido desviadas para os EUA após determinação de Trump; casos semelhantes afetam outros países

MUNDO | 05/04/2020 07:00 - Há 22 dias, 18 horas e 2 minutos
'Não queremos outros conseguindo máscaras', diz Trump
Presidente dos EUA também voltou a falar da hidroxicloroquina e disse que país tem 29 milhões de doses do medicamento

MUNDO | 01/04/2020 12:39 - Há 26 dias, 12 horas e 22 minutos
Cientistas chineses anunciam descoberta contra covid-19
Eles isolaram anticorpos que consideram eficientes contra o vírus

MUNDO | 30/03/2020 13:31 - Há 27 dias, 11 horas e 31 minutos
Transmissões estão passando das ruas para dentro das casas, afirma OMS
Organização Mundial da Saúde também alertou que transmissões estão ocorrendo dentro das famílias e que mortes evitáveis aumentaram em sistemas de saúde que foram duramente impactados pela pandemia

MUNDO | 28/03/2020 15:45 - Há 29 dias, 9 horas e 16 minutos
Itália tem 889 novas mortes por coronavírus neste sábado e supera 10 mil vítimas
O país, que é o mais afetado na Europa, chegou a 92,4 mil casos confirmados neste sábado, com 5,9 mil novas confirmações

Mais sobre