O que é preciso para chegar à Presidência?

Rodrigo Daniel Silva


Tribuna da Bahia, Salvador
12/10/2018 09:57

   

O que é preciso para chegar à Presidência? O ex-senador Antônio Carlos Magalhães dizia que não havia fórmula. Para ele, ser governador poderia se conquistar com luta, mas ser presidente da República era questão do “destino”. Antes, no entanto, parecia ter um método. Bastava ser eleito prefeito (sobretudo, de uma capital) e, em seguida, governador (principalmente de um grande estado) para tornar-se um candidato viável ao Palácio do Planalto. 

A fórmula, porém, não tem se aplicado nos últimos anos. O último caso foi Fernando Collor, que antes de presidir o Brasil foi prefeito de Maceió e governador de Alagoas. Antes da ditadura militar, também houve casos semelhantes de quem construiu a carreira política degrau por degrau e chegou à Presidência. É o caso de Jânio Quadros, que foi prefeito e governador de São Paulo, e Juscelino Kubitschek, que administrou Belo Horizonte e Minas Gerais.

De Collor para cá, os presidentes eleitos não seguiram a lógica. Fernando Henrique (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, não ocuparam nenhum cargo eleito no Executivo, antes de comandar o país. Na eleição deste ano, Jair Bolsonaro (PSL) chega ao segundo turno das eleições sem nunca também ter sido prefeito ou governador, e Fernando Haddad (PT) sem conseguir ser reconduzido ao posto de prefeito de São Paulo. 

Já os postulantes Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), que construíram carreiras política, foram barrados na eleição do dia 7 de outubro. O tucano foi vereador e prefeito de Pindamonhangaba e governador de São Paulo quatro vezes, além de ter sido deputado federal e estadual. O pedetista foi prefeito de Fortaleza, governador do Ceará e parlamentar estadual. No entanto, todo o currículo não pareceu ter sido considerado pelo eleitor.

A quebra de tradição também ocorreu nos Estados Unidos, com a eleição de Barack Obama, que foi senador antes de ser presidente. Lá os presidentes foram governadores antes de chegar a Casa Branca. É o caso de George Bush (Texas), Bill Clinton (Akansas), Ronald Reagan (Califórnia) e Jimmy Carter (Geórgia). Nos EUA, Donald Trump seguiu a linha de ser eleito sem ocupar cargos do Executivo. Fica então o desafio no Brasil de como conquistar visibilidade nacional para ser um candidato viável a presidente da República, sem antes ocupar cargos do Executivo.


Rodrigo Daniel Silva é jornalista, repórter de Política da Tribuna e do site Bocão News. 


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