A hora é de Rui melhorar o nível dos auxiliares

Raul Monteiro


Tribuna da Bahia, Salvador
06/12/2018 12:00

   

Há consenso na base governista de que o governador Rui Costa (PT) foi obrigado a fazer um recuo tático ao participar das negociações que conduziram à escolha do deputado estadual Nelson Leal (PP) para suceder o presidente da Assembleia Legislativa, Angelo Coronel (PSD). Como todo mundo sabia desde o princípio, o preferido de Rui para assumir o comando do Poder era o deputado Alex Lima (PSB), em favor de quem o governador ainda tentou operar para ajudar a eleger, embora fora do timing que poderia dar alguma chance de sucesso ao jovem parlamentar. 

A coincidência das articulações habilmente antecipadas por Leal com a necessidade de o governo aprovar na Assembleia um conjunto de medidas destinadas a evitar um desequilíbrio fiscal severo nas contas públicas, as quais enfrentam uma resistência do funcionalismo que poderia contaminar a base no Legislativo, levaram Rui a priorizar a salvação da pauta administrativa, abrindo mão de tentar impor sua vontade política no Poder. A decisão resultou num acordo que respeitou a vontade da ampla maioria da Casa pela escolha de Leal, pacificando a base num momento em que a coesão é essencial.

Se por um lado estabilizou a relação do governo com a Assembleia, o resultado das negociações com os deputados para a sucessão na Casa acabou, por outro, projetando um player cujo nome passa a ser lembrado com frequência, ainda que veladamente a contragosto do governo, como eventual candidato à sucessão do próprio Rui, em 2022. Trata-se do senador Otto Alencar (PSD), cujo aliado Adolfo Menezes, deputado de seu partido, deve, pelo entendimento firmado entre as legendas e o governo, ser candidato à sucessão de Leal em 2021, conduzindo a Assembleia no momento crucial das próximas eleições estaduais.

Por esta razão, a quase capitulação de Rui na Assembleia foi em boa medida interpretada também como um sinal de que ele praticamente pode fechar com o nome de Otto para passar o governo, muito provavelmente cumprindo o seu mandato de governador até o fim, já que, na hipótese de se desincompatibilizar para concorrer à vaga que o líder estadual do PSD estará deixando no Senado, será obrigado a passar o comando do Estado ao vice, João Leão, do PP, que, neste caso, se tornará candidato natural à reeleição e de tão oportuna prerrogativa não deverá abrir mão.

Embora as negociações com os partidos da base na Assembleia tenham, naturalmente, assanhado as ambições políticas no governismo, seu resultado acabou dando a Rui também o direito de, aproveitando o momento da reforma, ajustar melhor as posições no próprio governo, abrindo mais espaço para, por exemplo, inclusive, ampliar sua cota pessoal de indicações para o secretariado. Neste particular, o governador, aliás, deveria usar o momento para promover indicações mais técnicas de auxiliares ou, ainda que políticas, com um nível de qualificação dos escolhidos superior à media que marcou este seu primeiro mandato.

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