A chegada do e-yuan com efeitos na economia chinesa e no dólar

Por Túlio Ribeiro*


Tribuna da Bahia, Salvador
23/07/2021 21:20

   

A condição da China como grande potência mundial, sua relação como detentora de reservas em títulos estadunidenses em dólar e ao mesmo tempo de ameaça a sua superação, leva a analisar bem os “riscos financeiros” do e-yuan. O país com forte controle de capitais precisa pesar os prós e os contras de afrouxar esta política, via o uso de uma moeda digital controlada pelo seu Banco Central. 

Embora esta moeda insira seu manejo via o setor de varejo doméstico, a grande incógnita é a influência que poderia ser na prática como ferramenta na internacionalizando do yuan. Em segunda questão, auxiliar em projetos de liberalização do mercado da China e por fim permitir o Banco Central acompanhar os fluxos de capital. 

Neste contexto à medida que os Estados Unidos reforçam o peso sobre a capacidade de impor sanções financeiras na China, se torna de primeira necessidade tangenciar a utilização do dólar popularizando o uso do yuan em finanças, comércio e investimentos globais. 

É inquestionável a vantagem que e-yuan sobre as ferramentas de vigilância das autoridades no sistema de pagamento transfronteiriço da China, permitindo efetivamente que sua moeda seja monitorada em tempo real. Uma função importante ao possibilitar que a estruturas do Estado possam a detectar riscos econômicos com mais rapidez e implantar esforços de mitigação mais cedo. 

Embora que a cesta de serviços financeiros da China se mantenha minuciosamente fiscalizada e até em certa parte fechado aos investidores estrangeiros   de cunho manipulador, onde os fluxos de moeda na fronteira   sejam restringidos para evitar um êxodo de saídas em uma improvável crise, existe atores especulativos que teriam todo interesse em manejar pela importância da China. 

O paradigma destes especuladores é se valerem do uso da tecnologia para fazer operações muito rápidas que tragam resultados em ações ordenadas para manipular mercados, sejam em produtos ou valores de acionários de companhias, via aumento de receita ou queda desta. Portanto o e-yuan tem em sua utilização uma dupla abordagem. A gestão, caso não tenha um controle garantido, pode gerar riscos financeiros significativos ou até mesmo uma crise, dada a inovadora rapidez e permissibilidade de volume de capitais.  

Numa análise da visão do consumidor, este deve ponderar, pesando os prós e contras, por um lado a conveniência do e-yuan, e por outro a exposição dos dados pessoais. É uma caminhada quase educacional no sentido do comércio eletrônico deter ferramentas para proteger os dados dos clientes, é o equilíbrio mínimo para uma boa decisão do indivíduo. Decidir na prática sobre compensação por “poder sacrificar a privacidade” em prol da segurança cibernética nacional. 

A China pode estar de frente de um poder enorme para internacionalização da sua moeda, desde que pondere o equilíbrio entre os benefícios de uma conta de capital aberta com seus riscos. O gigante asiático conta ao seu favor com milhares de bancos domésticos, e o e-yuan poderia ajudá-los a aumentar sua capacidade de examinar os registros digitais de transferências de fundos.  

Conclusivamente é mais um degrau no caminho sobre o controle de capitais e a provável superação do dólar, seja por uma cesta de moedas ou pelo próprio yuan. É uma realidade que vamos analisar seu funcionamento logo após as Olimpíadas de Inverno de Pequim, em fevereiro de 2022. 

*Túlio Ribeiro é economista, mestre em história, doutorando em política estratégica. 

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