A Covid está fazendo secar nossas lágrimas

Por Paulo Roberto Sampaio


Tribuna da Bahia, Salvador
14/06/2021 21:03

   

Nos últimos 15 meses passei a me acostumar com as perdas, quase diárias, de queridos amigos, vizinhos, conhecidos ou simplesmente personagens que de alguma forma acabamos por ter alguma referência. Acho que o lado mais doloroso dessa maldita Covid é secar nossas lágrimas. Choro silenciosamente por minutos, horas ou dias, mas logo descubro que a vida tem de seguir ou há mais um amigo morrendo por quem chorar.

Talvez isso me faça revoltado com esses duelos diários entre bolsonaristas e anti-bolsonaristas sobre a eficiência ou não desse ou daquele remédio na prevenção da doença; da importância ou não do uso da máscara e até da validade ou não da vacina, esse talvez o capítulo mais cruel e dolorosa desse enredo, afinal está provado cientificamente que só a vacina salva e os demais procedimentos contribuem para tentar evitar a contaminação.

Deleto sem abrir ou ler essas pregações messiânicas ou os ataques infundados a política econômica do país, fruto desse inoportuno confronto político que nos faz desviar nossas energias de temas sérios para esse disse-me-disse que mais parece coisa de desocupado.

Mas isso não significa que esteja revoltado com o mundo, até porque não tenho outro para me mudar, ao menos até receber o chamamento do Senhor, ou só enxergue coisas ruins à minha volta. Vejo no campo político um movimento de peças interessante com vistas à sucessão estadual, onde estratégias e articulações caminham vigorosamente para isolar o PT e seu candidato, se ele não arregaçar as mangas logo e com disposição para o diálogo. E o seu patrono fizer o mesmo.

Ninguém consegue me convencer de que o ex-prefeito ACM Neto e o atual ministro e seu ex-chefe de gabinete, João Roma, não estarão num mesmo palanque em 2022, numa substancial aliança que pode abrigar também pelo menos mais um partido de peso no cenário local, hoje muito bem acomodado na máquina governista.

Mas política à parte há algo que funciona como um bálsamo nesses momentos de tristeza e dor por conta dessa maldita pandemia e das tantas vidas ceifadas: o exemplar trabalho feito pelos secretários de saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, e do Município, Léo Prates.

Quando vejo o avanço nos grupos de vacinação, caminhando até o fim da semana para ingressar na faixa dos 40 anos, dá um alívio enorme e renova a fé de que irmãos e amigos queridos, hoje totalmente expostos ao terrível vírus, apesar dos cuidados tomados com álcool em gel e máscara, possam ter uma chance real de enfrentar essa Covid.

Felizardo que sou de ser amigo dos dois, abdico desta condição para registrar um orgulho danado de ver a Bahia numa posição invejável nesse duro combate, e poder aplaudir e reconhecer o trabalho que ambos fazem nessa verdadeira guerra pela vida.

Em meio a tantas angústias e incertezas, com tanto tempo perdido com mensagens em Zaps que só servem para encher a caixa e algo mais, é bom ver que profissionais como Fábio e Léo, ladeados  por suas equipes, dão um exemplo do que trabalho e ciência podem fazer pela vida.

Que sigam brilhando. A Bahia haverá de ser grata e retribuir a ambos lá adiante.

*Paulo Roberto Sampaio é diretor de Redação da Tribuna e escreve neste espaço quinzenalmente às terças-feiras.


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