A fé não precisa de templos; a vida precisa de vacina

Por Victor Pinto


Tribuna da Bahia, Salvador
04/04/2021 20:55

   

Eu sou aquela pessoa que professa sua fé sem a necessidade de me encontrar em quatro paredes de uma construção ou templo para poder fazer minhas orações, pedir perdão por aquilo que acho errado que fiz ou falei, agradecer alguma graça alcançada ou pedir algo. Até gosto, mas não acho tão imprescindível.  Totalmente contrário de cultos escandalosos, principalmente dos neo pentecostais, a oração pode ser silenciosa, pois a intenção será a mesma e acho que Deus não é surdo, sabedor da sua onipresença e onisciência. 

Se realmente a pessoa tem que depender do ritual específico entre quadro paredes, me perdoe, mas essa criatura tem pouca fé. A ida ao templo, muito além da característica religiosa, tem fortes atributos de convenção social e de arrecadação pecuniária. Alguns vendilhões dos templos, em período de pandemia, estão mais preocupados com os livros das receitas do que a crescente lista de fieis que partiram do mundo terreno. 

Padre Zezinho canta que orar costuma fazer bem. Para quem acredita, independente da religião que venha professar, tenha certeza que faz bem sim. Mas seja onde estiver ou com quem estiver. O exercício da Igreja, em um aspecto do cristianismo, predominante no Brasil, se faz, como o próprio evangelho de Mateus menciona, quando dois ou mais estiverem presentes em nome de Cristo. 

No carro, na cozinha, no quarto, em alguns minutos no trabalho. Ouvindo um podcast, um cd, uma transmissão na TV, no rádio ou nas redes sociais: a fé pode sim ser professada e com segurança sanitária dentro da sua redoma pessoal. Pode sim a atividade religiosa ser essencial, no meu ponto de vista, desde que seja para ser sede de uma transmissão ou receber um ou outro fiel de maneira individualizada. 

Apesar da nossa construção moral, que permeia o universo político e jurídico, passar pela fonte religiosa, Igreja não é Estado e nem Estado deve ser Igreja. Pastor ou padre pregar uso de arma para “defender” o exercício do culto é passar pano para os modus operandi do Estado Islâmico que não tolera o cristianismo e não deixa pedra sobre pedra. Mata em nome do Divino. O próprio Cristo, com toda sua influência, não fez isso, mas os que vieram depois deles, os homens, alguns, sim, fizeram. 

Citando mais uma vez, como diria Padre Zezinho, “se Jesus chegasse agora e tivesse um microfone para espalhar a sua ideia” com certeza ou ele curava por suas mãos ou clamaria ao Pai por vacina para garantir a saúde do povo. O direito de religião é inviolável e constitucionalmente é fundamental. Mas a saúde é mais fundamental ainda. Pois sem saúde não há fiel que venha participar da vida ativa do templo ou até mesmo pagar o dízimo em dia (pois tem alguns, com certeza, que só pensam nisso).

*Eu sou aquela pessoa que professa sua fé sem a necessidade de me encontrar em quatro paredes de uma construção ou templo para poder fazer minhas orações, pedir perdão por aquilo que acho errado que fiz ou falei, agradecer alguma graça alcançada ou pedir algo. Até gosto, mas não acho tão imprescindível.  Totalmente contrário de cultos escandalosos, principalmente dos neo pentecostais, a oração pode ser silenciosa, pois a intenção será a mesma e acho que Deus não é surdo, sabedor da sua onipresença e onisciência.

Se realmente a pessoa tem que depender do ritual específico entre quadro paredes, me perdoe, mas essa criatura tem pouca fé. A ida ao templo, muito além da característica religiosa, tem fortes atributos de convenção social e de arrecadação pecuniária. Alguns vendilhões dos templos, em período de pandemia, estão mais preocupados com os livros das receitas do que a crescente lista de fieis que partiram do mundo terreno.

Padre Zezinho canta que orar costuma fazer bem. Para quem acredita, independente da religião que venha professar, tenha certeza que faz bem sim. Mas seja onde estiver ou com quem estiver. O exercício da Igreja, em um aspecto do cristianismo, predominante no Brasil, se faz, como o próprio evangelho de Mateus menciona, quando dois ou mais estiverem presentes em nome de Cristo.

No carro, na cozinha, no quarto, em alguns minutos no trabalho. Ouvindo um podcast, um cd, uma transmissão na TV, no rádio ou nas redes sociais: a fé pode sim ser professada e com segurança sanitária dentro da sua redoma pessoal. Pode sim a atividade religiosa ser essencial, no meu ponto de vista, desde que seja para ser sede de uma transmissão ou receber um ou outro fiel de maneira individualizada.

 Apesar da nossa construção moral, que permeia o universo político e jurídico, passar pela fonte religiosa, Igreja não é Estado e nem Estado deve ser Igreja. Pastor ou padre pregar uso de arma para “defender” o exercício do culto é passar pano para os modus operandi do Estado Islâmico que não tolera o cristianismo e não deixa pedra sobre pedra. Mata em nome do Divino. O próprio Cristo, com toda sua influência, não fez isso, mas os que vieram depois deles, os homens, alguns, sim, fizeram.

Citando mais uma vez, como diria Padre Zezinho, “se Jesus chegasse agora e tivesse um microfone para espalhar a sua ideia” com certeza ou ele curava por suas mãos ou clamaria ao Pai por vacina para garantir a saúde do povo. O direito de religião é inviolável e constitucionalmente é fundamental. Mas a saúde é mais fundamental ainda. Pois sem saúde não há fiel que venha participar da vida ativa do templo ou até mesmo pagar o dízimo em dia (pois tem alguns, com certeza, que só pensam nisso).

*Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura política em sites e rádios de Salvador. Twitter: @victordojornalé jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura política em sites e rádios de Salvador. Twitter: @victordojornal


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