A guerra cambial entre China e EUA frente a nova rodada comercial

Por Túlio Ribeiro*


Tribuna da Bahia, Salvador
10/06/2021 22:06

   

Uma variável determinante para controle de fluxo de riqueza num mundo globalizado e de grande fluxo comercial e serviços é a taxa de câmbio, principalmente entre as duas grandes potências mundiais. 

EUA e China lançam olhar na taxa de câmbio do yuan, à medida que a moeda continua a subir. Alterando a relação de preço de forma global.

É importante destacar que a moeda chinesa atingiu uma alta de três anos em relação ao dólar estadunidense e uma alta de cinco anos em relação a uma cesta ou conjunto de moedas ponderada pelo comércio esta semana.

Encontramos na história recente diversas demandas estadunidenses frente aos chineses para que “democratize sua economia” no sentido de deixar sua moeda oscilar, o que seria benéfico para os americanos.

 A rápida inflexão recente deve atrair um maior detalhamento de análise pelo governo Biden sobre o opaco mecanismo de taxa de câmbio da China, à medida que negociações comerciais em bloco são retomadas entre as duas maiores economias do mundo.

Pela China, Liu He, realizou um encontro virtual com a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, na última quarta-feira, significando as primeiras negociações comerciais bilaterais sob a presidência de Joe Biden. A promessa da China é de abdicar da forte manipulação a taxa de câmbio do yuan para obter vantagem competitiva, vide acordo assinado em 2020.

Há um monitoramento sobre os bancos estatais chineses que podem estar agindo como representantes do Banco Popular da China (PBOC) para operar no mercado indiretamente. 

A China reporta que os EUA têm parte da culpa pelo yuan mais forte devido suas políticas monetárias e fiscais extraordinariamente expansivas, via financiamentos recorrentes déficits por emissão de moeda.

A ascensão chinesa tem levado para o passado a realidade quando dependia fortemente da intervenção cambial para controlar o valor do yuan. O PBOC adquiria dólares mercado interbancário via bancos chineses, transformando-os em reservas do banco central. Simultaneamente venderia o yuan aos bancos repassando mundialmente a operadores de bens e serviços, suprimindo a valorização do yuan. Uma operação de guerra, suprimindo a valorização do yuan inundando o mundo com moeda chinesa.

A realidade da economia real favorável a China fizeram práticas serem cada vez mais espaçadas. Assim os fluxos maciços os ativos estrangeiros nos balanços dos bancos comerciais chineses aumentaram 30 por cento em três anos, mesmo sem ações draconianas. A China controla cada vez mais tranquilamente uma taxa de paridade central diária em relação ao dólar dos EUA e limitando as flutuações a 2% acima ou abaixo desse ponto médio. É a conclusão que o mundo dolarizado cada vez mais flui para China, num sentido de difícil alteração pois é caminho do superavit de bens e serviços.

Em ação contra sua moeda na tentativa de esfriar a valorização, mesmo sem saber o quanto os EUA estão dispostos reduzir as taxas de importação numa negociação global, a China na segunda-feira (31/5), subiu a necessidade de dinheiro para instituições financeiras a título de reserva como garantia para seus depósitos em moeda estrangeira. Segundo especialistas partir de 15 de junho, congelará cerca de US $ 20 bilhões em liquidez cambial. 

Conclusivamente, é importante vislumbrar que cada vez mais os detentores do capital sabem quem está vencendo a guerra na economia real e querem construir sua cesta de reservas com a garantia do vencedor. Embora esta disputa ainda esteja sendo jogada diariamente, é uma hora que não para de se aproximar.

No que abrange uma influência sobre a Bahia, não é uma escolha em uma das moedas, e sim alargar fontes de financiamentos com o crescimento do Yuan ou novas cestas de moeda. A China é um dos grandes compradores do minério de ferro e cobre do Estado e seu poder de compra está diretamente ligado ao crescimento das exportações baianas. Existe outra variável no que tange a o modelo de investimento. A China costuma ampliar financiamentos para estados ou nações que aceitam parceria em obras estruturantes com o uso do yuan e seus materiais, no mesmo sentido incrementa suas exportações para quem importa seus produtos por sua moeda. Portanto não é uma questão entre o dólar e yuan; mais do que isto é se valer das oportunidades entre a concorrência das potências.

*Túlio Ribeiro é economista


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