A influência das redes sociais nas eleições

Por Luiz Holanda*


Tribuna da Bahia, Salvador
21/06/2021 18:37

   

Não há nenhuma dúvida que as redes sociais elegeram o presidente Bolsonaro. A capacidade do candidato em usá-las criou uma onda de aceitação de suas mensagens muito além do virtual. Candidato por um partido minúsculo, com pouco dinheiro e escasso tempo de TV no primeiro turno, Bolsonaro soube usar a tecnologia para mudar os rumos da comunicação, dando lugar a uma nova forma de mobilizar seguidores transformando-os em eleitores.

O segredo de sua campanha foi saber transformar as redes sociais em marketing de relacionamento durante os quatro anos em que esteve atento, identificando possíveis seguidores virtuais em apoio às suas bandeiras. Essa foi a sua maneira de utilizar em campanha política uma nova forma de comunicação. Essa técnica está influenciando todos os candidatos às eleições de 2022 como ferramenta estratégica de chamar a atenção dos eleitores.

Outro candidato que soube utilizar esse ambiente virtual a seu favor foi Donald Trump, em 2016, estimulando os grupos que o apoiavam a usar as redes sociais em seu benefício. Esses grupos pertenciam à extrema direita americana, responsáveis por 60% dos retweets a favor do candidato. A partir daí políticos e países passaram a utilizar essa técnica, como na campanha do Brexit, e nas eleições da Alemanha e da França. Entre nós não foi diferente. Bolsonaro soube capitalizar as mídias sociais a seu favor como jamais algum candidato o fez.

Agora todos os candidatos pretendem utilizar as mídias sociais para alavancar suas candidaturas. Apesar de, entre nós, apenas 34% da população utilizar a internet, ela é fundamental para ampliar o alcance das campanhas eleitorais. Blogs, e-mails, sites e redes sociais poderão aumentar a participação do eleitorado no debate político. E com a reforma da legislação eleitoral, os candidatos e os partidos políticos poderão utilizar os diversos meios de interação das redes sociais até para receber doações de eleitores por meio de cartão de crédito.

Vai ser fácil conseguir enviar e receber mensagens. Hoje em dia todo o mundo usa o Facebook, o whatsapp e outros meios de comunicação visual.  O aparecimento da internet fez com que o mundo se tornasse uma arena global com um simples click, e a existência de wifi gratuito facilitou a comunicação instantânea.

Nossos filhos já nascem nesta geração de comunicação virtual. Todo mundo sabe utilizar o snapchat, Skype, instagram e outros aplicativos. Se essa facilidade for usada com sabedoria não acarretará consequências desagradáveis. Essa nova geração move-se pela quantidade de “likes” nas fotos e publicações, pela quantidade de seguidores nas redes sociais e pela maior partilha de informações.

Sem a possibilidade do corpo a corpo nas campanhas eleitorais, o politico que não souber utilizar as redes sociais está perdido. Ele vai ficar nas mãos das empresas que criam as plataformas digitais. Nas próximas eleições as campanhas eleitorais estarão todas na internet. Daí as dificuldades para os candidatos angariar eleitores se não souberem conservar e manter o mesmo estilo utilizado em outros meios de comunicação e em suas atividades pessoais.

Queiram ou não, quem melhor soube e sabe utilizar as redes sociais a seu favor é o presidente Bolsonaro. Ele ganhou as eleições praticamente sem sair de casa. No que dia em que saiu, levou uma facada. Seus inimigos –entre os quais um alucinado- acabaram por dar-lhe, de bandeja, quase 58 milhões de votos. Alguém acha que ele vai deixar isso de lado? Bolsonaro vive dizendo que em seu governo não há corrupção. Ninguém o contesta. Quer melhor campanha do que esta?

Tudo indica que ele vai utilizar as redes sociais com mais intensidade no momento da campanha. Se atacar, a repercussão é total. Veja quando o senador Flávio Bolsonaro chamou seu colega de parlamento, Renan Calheiros, de Vagabundo durante sessão da CPI da COVID. Milhões visualizaram o fato nas redes sociais. A repercussão foi tanta que até hoje está na internet. Para o povão, quem saiu ganhando?

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

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