À Megera, impostora de todos os calibres.

Por Carlos Roberto Santos Araujo*


Tribuna da Bahia, Salvador
04/04/2021 21:49

   

A Megera passou, está traiçoeira, com seu hálito gélido, mas sobrevivi, graças a Deus, quando tantos se foram a caminho da eternidade. A ajuda da minha família, especialmente de minha mulher, Maria de Lourdes, que me socorreu de pronto, foi fundamental. Demorasse um minuto e seria, com o perdão da palavra, o trespasse, lá se me iriam tantos sonhos a realizar. Vali-me dos esforços do Hospital Aliança, sobretudo dos seus diretores, na pessoa do Dr. Hélio Braga. Fui literalmente salvo pelo Dr. Adriano Victor e sua equipe, na condução da UTI, pois cheguei ao hospital, nos meus últimos suspiros! Tive o apoio dos colegas e amigos que formaram uma rede de orações e solidariedade em meu favor. Agradeço, especialmente, aos médicos Drs. Nanci Silva, Marco Pagani e Ari Walter que tanto me estimularam a lutar; ao desembargador Lourival Trindade, eminente presidente do Tribunal de Justiça da Bahia; ao escritor Joaci Goes, este pensador à la mode de Montaigne, pois escreve com pena de ouro; ao criminalista Thomas Bacelar, Varão de Plutarco da Advocacia Baiana; aos desembargadores Nilson Castelo Branco, Baltazar Miranda Saraiva, Mário Albiani Filho, Sara Brito, Luislinda de Valois e Júlio Travessa, Luiz Fernando, colega de infortúnio, também atingido pelo vírus, pelo constante e diuturno apoio psicológico e material; à enfermeira Adriana Costa, que interferiu na Hora H. Agora, de alta,  estou de volta à Terra Dos Homens,  em clínica particular de reabilitação, contente, pois o pior já passou. Ficará, o evento, porém, gravado na memória, jardim das sombras mortas, este museu tristíssimo da alma. Tenho o sentimento esquisito de que foi tudo um sonho mau, paradoxalmente marcado por momentos de paz e quase alegria, pois a esperança de sobrevivência nunca me abandonou.  Foi o Trofeu da Vida sobre a Tragédia da Morte. Está a salvo o menino da minha mãe. A todos os que me ajudaram agradeço e sou reconhecido. 

*Carlos Roberto Santos Araújo

O autor é desembargador, vice-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia.  


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