A Terceira Via nas eleições de 2022

Por Luiz Holanda*


Tribuna da Bahia, Salvador
28/06/2021 19:04

   

Começou nos anos setenta, quando o mundo estava polarizado entre o comunismo e o capitalismo. Era a ideologia resultante da reformulação da social-democracia, quando o  ex-primeiro ministro britânico, Tony Blair (ele ainda não estava no governo) conseguiu reunir em Dublin, na Irlanda, o politico e futuro presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton e o sociólogo Fernando Henrique Cardoso para discutir um projeto envolvendo a social-democracia. 

Seria uma tentativa de reconciliação entre a direita e a esquerda, cuja bandeira era uma política econômica conservadora associada a uma política social progressista. Alguns autores apontam a China como o país praticante dessa ideologia, já que o comunismo chinês interfere na economia com certa moderação. Fernando Henrique, quando foi presidente da República, adotou essa ideia. 

Atualmente, a terceira via é a possibilidade de um candidato alternativo fazer frente às candidaturas de Lula e Bolsonaro. Dentro os mais citados estão Ciro Gomes, João Doria e o ex-juiz Sergio Moro. Apesar de, até o momento, favoritos para o pleito de 2022, Bolsonaro (sem partido) e Lula (PT) são os nomes mais rejeitados pela população brasileira, segundo pesquisa do Poder-Data: 50% e 48%. 

Com 10% das intenções de voto, o pré-candidato pelo PDT, Ciro Gomes, aparece em terceiro lugar, enquanto o apresentador Luciano Huck e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) somam 4%, cada. João Amoêdo (Novo) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), aparecem com 3%. 

Agora, surgiu uma nova postulante, lançada pelo presidente do PMDB, deputado Baleia Rossi, de São Paulo. Trata-se da senadora Simone Tebet, que aceitou o convite para ser candidata pelo partido à presidência da República nas eleições de 2022. Essa decisão veio fortalecer a terceira via, pois a senadora vem ganhando espaço na mídia depois de sua atuação na CPI da Covid-19. Foi ela que conseguiu que o deputado Luís Miranda declarasse o nome da pessoa citada por Bolsonaro na conversa sobre a vacina Covaxin.

Simone Tebet tem uma sólida carreira política e é muito respeitada no Congresso. Filha do senador Ramez Tebet, formou-se em Direito pela UFRJ e especializou-se  em Ciência do Direito pela Escola Superior de Magistratura, e fez mestrado em Direito do Estado pela PUC de São Paulo. Desde 1992 é professora universitária na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e em outras três instituições. 

Em 2002, foi eleita deputada estadual em Mato Grosso do Sul. Dois anos depois foi prefeita de Três Lagoas e reeleita em 2008, com mais de 75% dos votos. Em 2010, foi eleita vice-governadora, tendo chefiado a Secretaria de Governo, e em 2014 venceu a eleição para o Senado. Simone Tebet é uma candidata que tem condições de postular a Presidência da República.

Como alguns partidos ainda não optaram por nenhuma das candidaturas até agora postas, o candidato que tiver chance de ganhar certamente receberá o apoio deles. Não é sem razão o desespero de Lula para conseguir o apoio do PSB. Como os socialistas preferem aguardar o desenrolar dos acontecimentos, o petista vai sofrer até lá, podendo até não conseguir esse apoio, pois a candidatura de Simone Tebet deverá empolgar a terceira Via. 

Muita gente, a exemplo de Fernando Henrique Cardoso, está torcendo por uma aliança política que dê viabilidade a uma "terceira via" eleitoralmente forte para o pleito de 2022. Segundo FHC, essa opção não deve parecer "neutra" diante das possíveis candidaturas de Lula e Bolsonaro, mas tem que saber "polarizar também". E isso, pelo visto, Simone Tebet sabe.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário

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