ACM Neto mostra que o DEM é mais esperto que Bolsonaro e o Centrão

Por Tales Faria, Chefe da Sucursal de Brasília do UOL


Tribuna da Bahia, Salvador
08/02/2021 20:42

   

Não menospreze a esperteza política de Bolsonaro. Ninguém é eleito presidente da República inocentemente. E, agora, se fosse bobo, ele não teria derrotado Rodrigo Maia na eleição de presidente da Câmara. Essa disputa mostrou que Bolsonaro é esperto, mas o centrão é mais. E o DEM é mais ainda que todos eles, incluindo o pobre Rodrigo. Veja o que tem dito o presidente do DEM, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto: o partido não é governo, nem oposição. Tem dois ministros no governo, pode ganhar mais e, em 2022, pode ir de Doria, com as esquerdas ou até mesmo com Bolsonaro. Só tem uma restrição: gostaria que Bolsonaro parasse de falar besteiras contra a pandemia do coronavírus e coisas assim. Afinal, isso está espantando eleitores. Pois é, o jogo agora é de profissionais. Bolsonaro entrou no governo jogando truco. Aquele carteado que a turma vence no grito.

Aí os ministros capas pretas do Supremo Tribunal Federal resolveram bater na mesa, partiram para o enfrentamento. O presidente viu que estava começando a perder e chamou o centrão para a mesa. O centrão aceitou, mas com uma condição: quer dar as cartas. Bolsonaro acha que dá para negociar. Como não é bobo, promete entregar o baralho aos poucos. É essa reforma ministerial, em que ele aceita mudar os ministros, mas avisa que será a conta-gotas.

Para ganhar o jogo, o centrão fez as contas e viu que precisava da turma do DEM, chamou-os para o baralho. Mas os demistas são profissionais. Assim como o centrão entrou, saiu e entrou em todos os governos, o DEM entrou, saiu e entrou no centrão. Faz com o bloco de partidos disformes de centro o que o grupo faz com os governos. Tudo bem, ajudou na primeira etapa do carteado, mas agora quer jogar um jogo mais complexo. Jogo de profissionais: pôquer. O baralho não é de ninguém, roda na mesa, vale blefe, mas sem gritos, e os cacifes para começar a partida são mais altos. Aposta-se inclusive a eleição de 2022.

Para Bolsonaro, sua reeleição é um jogo de vida ou morte. É isso que o DEM coloca na mesa agora. ACM Neto ainda não sentou. Deixou representantes do partido em seu lugar. Ameaça partir para a mesa do Doria, do Luciano Huck, do Ciro Gomes ou quem mais vier. Bolsonaro tem até o final desse semestre para mostrar que consegue entregar o baralho e as fichas que o DEM e o centrão querem e ainda guardar um pouco. Se não conseguir, a turma toma tudo dele na marra. E jogo jogado.

Artigo transcrito da UOL, de autoria do jornalista Tales Faria Chefe da Sucursal de Brasília do portal UOL


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