Os do contra

Adilson Fonseca


Tribuna da Bahia, Salvador
05/06/2019 11:07

   

Acima dos interesses político-partidários estão os interesses da Nação. Essa premissa vale para senadores e deputados federais, que nas duas casas legislativas devem estar atentos ao que pode ou não trazer benefícios para o país. Para isso é que foram eleitos. Devem representar seus partidos, suas ideologias e seus eleitores. Mas estão ali, por quatro ou oito anos, para legislarem para o país.

Dos 81 senadores aptos a votarem a Medida Provisória MP- 871, editada em fevereiro deste ano pelo presidente Jair Bolsonaro, 67 votaram, sendo 55 a favor, e 12 contras. Chamou a atenção o fato de que o Partido dos Trabalhadores (PT) vem sistematicamente, em votações, sejam no Senado ou na Câmara, se posicionando contra quaisquer que sejam as medidas anunciadas pelo atual governo.

O partido, que ainda levanta a bandeira do Lula Livre, mesmo com todas as evidências jurídicas que embasaram as condenações, ainda age como se estivesse em um palanque antes de outubro de 2018. Não arrefece do seu viés ideológico, mesmo quando flagrantemente uma MP, como essa que estabelece o Pente Fino para averiguar as irregularidades no pagamento de benefícios por parte do INSS.

Nos últimos anos forças tarefas do INSS detectaram inúmeras fraudes na Previdência, principalmente no que se refere ao auxílio doenças e aposentadorias porinvcalide4z. Quadrilhas vêm agindo em diversos estados da federação ludibriando o fisco e a própria Previdência, em que normalmente os beneficiados, que invariavelmente se transformam em vítimas quando flagrados, são trabalhadores rurais, ou aqueles que estão na faixa de um salário mínimo, que menos esclarecidos, são incentivados pela Lei de Gerson, a buscarem a aposentadoria mesmo quando não têm condições para tal.

E o PT, com seus partidos satélites, consegue enxergou na Medida Provisória, feita para o combate às fraudes e corrupção, danos para os trabalhadores, e por isso votou contra.

A MP aprovada no apagar das luzes do Congresso, para evitar que perdesse a validade, além do combate sistematizado a fraudes na Previdência, vai proporcionar, segundo as estimativas mais superficiais, uma economia de R$ 10 bilhões por ano, ou três vezes mais que o valor do atual contingenciamento feito na área da Educação. Agora que pode ser implantada, servirá de base para outras operações de combate às fraudes, como já se verificou em alguns programas sociais, como o seguro pago a pescadores que jamais exerceram a atividade, de trabalhadores rurais que sequer sabem a diferença entre uma enxada e um machado, ou mesmo do Bolsa Família, onde até mesmo políticos, empresários e mortos, recebem o benefício.

A democracia, como dizem os pensadores, é a arte da convivência entre os contrários. Pode não ser o regime perfeito, mas é o melhor que existe nas relações humanas, pois pressupõe, antes de mais nada, o respeito e o equilíbrio de posições. Quando exercida na política, significa que aqueles que são os seus legítimos representantes, porque eleitos de forma democrática, devem ter o respeito, não só, pelos seus adversários, mas acima de tudo o respeito pela região – municípios estados e o país – pelo e para qual foram eleitos.


Adilson Fonseca é Jornalista (adilson.0804@gmail.com) 

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