A bala de prata

Adilson Fonseca


Tribuna da Bahia, Salvador
03/07/2019 12:04

   

Uma '''bala de prata''' é o último recurso de um atirador, quando nenhuma das munições que possui se torna capaz de abater o oponente. No folclore, é justamente o único tipo de munição capaz de matar lobisomens, bruxas e outros monstros. A expressão bala de prata é adotada como uma metáfora para designar uma solução simples e eficiente para se resolver um problema complexo, cujos demais meios usados até então, não foram suficientes para derrubá-lo ou eliminá-lo.

Na fila dos artifícios usados para derrubar o atual governo no Brasil, já passou o ex-assessor Fabrício Queiroz, que trabalhava no gabinete de um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, Flávio, quando este era ainda deputado estadual pelo Rio de Janeiro. Também já passaram nomes como do ex-presidente do PSL e ex-ministro, Gustavo Bebianno, e até mesmo um general, o Santos Cruz. Todos supostos pivôs que provocariam uma ruptura institucional e fariam o presidente Jair Bolsonaro sangrar até renunciar ao mandato ou sofrer ações de impeachment.

As manifestações do último dia 30, em apoio ao juiz Sérgio Moro, à Operação Lava Jato e ao próprio governo de Jair Bolsonaro, assim como a manifestação anterior, em contraponto àquela promovida pelos partidos de esquerdas contra a Reforma da Previdência e contra o governo, são respostas claras de um nível de percepção da sociedade sobre o atual cenário político brasileiro. Isso porque torna-se cada vez mais evidente que no atual cenário, não se faz oposição a um Governo, como é comum em qualquer democracia, mas à figura do presidente da República, de forma direta, como as manifestações de rua, ou indireta, com denúncias.

Tentou-se de todas as formas desqualificá-lo, já ainda nos primeiros dias do seu mandato, na sua primeira viagem internacional, quando foi participar de uma das mais importantes conferências mundiais reunindo as principais economias do mundo. E posteriormente na sua viagem aos Estados Unidos, qualificando-o como subserviente por ter dado um tratamento especial ao governo americano, mesmo em se tratando da maior potência mundial e o segundo maior parceiro econômico do Brasil.

Sem munições novas e consistentes, o jeito foi apelar para as ruas, primeiro com os movimentos sociais e estudantis contra a Educação e depois contra a Previdência. A fila andou, mas não deu os resultados esperados, gerando até mesmo uma contraofensiva por parte dos apoiadores do governo. Na busca de resultados eficazes, buscou-se a via indireta, com o vazamento de diálogos entre o agora ministro Sérgio Moro e o procurador da Lava Jato, DeltanDallagnnol, o que não só derrubaria o governo, mas traria de volta às ruas, o ex-presidente Lula, preso e condenado a oito anos de prisão.

A solução, contudo, parecia que viria dos céus, ou melhor, de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que integra a comitiva de viagens internacionais do presidente da República. Como nada tinha dado certo até então, a descoberta de um sargento transportando 39 quilos de cocaína parecia ser a bala de prata que derrubaria o monstro. Chegou-se a até mesmo se ensaiar uma espécie de comoção internacional, e pedidos de investigações para tentar estabelecer uma possível conexão com cartéis de drogas na Europa, e com alguma rota que até mesmo passasse por Brasília.

Para a esquerda, essa passou a ser a grande notícia da viagem internacional do Brasil para a reunião do G-20, reunindo as 20 maiores economias do mundo, no Japão. Pouco importaram as reuniões bilaterais com Estados Unidos, China e França. E muito menos o acordo de livre-comércio feito entre o Mercosul e União Europeia, que envolve 28 países.

O acordo, que vinha sendo tentado há 20 anos, reconhecerá como "distintivos do Brasil" vários produtos, como cachaças, queijos, vinhos e cafés, e garantirá acesso efetivo em diversos segmentos de serviços, como comunicação, construção, distribuição, turismo, transportes e serviços profissionais e financeiros. Essa é a verdadeira bala de prata que foi detonada. Só que do lado de quem estava na mira para ser abatido pelas esquerdas.

Adilson Fonsêca é Jornalista (adilson.0804@gmail.com) 

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