Um olhar criterioso sobre as pesquisas

Adilson Fonseca


Tribuna da Bahia, Salvador
10/07/2019 09:39

   

Antes mesmo de assumir o governo do Brasil, em janeiro de 2019, o então candidato eleito, Jair Bolsonaro, tinha pela frente um cenário nada animador, não só no aspecto político-ideológico, fruto de uma disputa marcada por violência, na qual o ápice foi o seu quase assassinato a facada, durante uma caminhada em uma cidade no interior de Minas Gerais, mas também, e principalmente, no aspecto econômico. Um desemprego que deixava nas ruas 13 milhões de trabalhadores, uma economia em queda e a falta de perspectivas, mostravam serem desafios quase intransponíveis.

Se por um lado havia uma esperança de mudanças, à\ espera de um milagre, materializada nos 56 milhões de votos que garantiram a sua vitória, havia, do outro lado, uma oposição ferrenha como nunca se vira no Brasil republicano. A quebra de velhos paradigmas da política, dentre os quais o fisiologismo e os dogmas ideológicos de uma esquerda que se acostumou a ficar no poder e a ditar regras de comportamentos da sociedade, foram os combustíveis que ainda estão a queimar.

A cobrança de mudanças e soluções rápidas para problemas que se arrastavam e recrudesceram nos últimos 20 anos, se fazia latente e veio à tona nos 100 dias de governo, quando o discurso era de que o Brasil continuava o mesmo de antes, e por isso mesmo frustravam as maiores expectativas de um milagre, que deveria vir numa assinatura de uma caneta Bic. Mas milagres não surgem do nada. É preciso construí-los. E isso demanda certo tempo para que se possam amoldá-los às novas estruturas.

Com todo cenário ainda adverso, principalmente na economia, os seis meses de governo trouxeram à baila, a mais recente pesquisa de opinião, do Datafolha, em que mostra uma aprovação e reprovação simultânea de 33% do presidente Jair Bolsonaro. Outros 31% consideraram como regular o trabalho desenvolvido pelo governo e 2% disseram não saber avaliar. Em abril,os percentuais deótimo/bom eram de32%, e 30% eram de ruim/ péssimo, além de 31% regular e 4% que não opinaram.

A oposição comemora o fato de ser esta a pior avaliação para um presidente com seis meses em um primeiro mandato desde a redemocratização. Mas não se analisa o aspecto conjuntural. Os ex-presidentes Fernando Collor de Mello, o primeiro a ser eleito de forma direta após o período da Ditadura Militar, obteve 34% de aprovação. Fernando Henrique, que veio embalado pelo Plano Real, obteve 40% no primeiro mandato, e 16% no segundo. Já Luiz Inácio Lulada Silva, 42%, e Dilma Roussef 49% no primeiro mandato e 16% no segundo mandato. Não houve avaliação dos primeiros seis meses de Lula no segundo mandato.

Observa-se que em nenhum dos governos anteriores, viu-se um cenário tão devastador como o atual, e tamanha ansiedade por um milagre. O país vive a pior recessão da história e só agora estancou a queda nos indicadores. Reformas como as da Previdência e Tributária nunca se fizeram tão urgentes, e a ideologia cega e irracional da oposição, faz de tudo para manter o país no imenso buraco econômico e social em que foi lançado.

Para os que esperaram mudanças, mas não esperaram um milagre, a aprovação de Bolsonarosubiu para 60% ante os 54% registrados em abril. Para estes, que são os que optarem pelo candidato, as transformações devem vir, mas têm a consciência de que não se realizam milagres, mas sim a construção destes, para se construir uma nova realidade no País.


Adilson Fonsêca é Jornalista (adilson.0804@gmail.com)


Compartilhe