A geração do “é noiz” paga o tributo no mercado de trabalho

Adilson Fonseca


Tribuna da Bahia, Salvador
14/08/2019 01:12

   

Quando foi criado em 2011, sob a Lei nº 12.513, o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) foi apresentado pela ex-presidente Dilma Roussef (PT) como a grande solução para a formação de mão-de-obra qualificada para o mercado industrial brasileiro. Utilizado como uma das principais peças de campanha para a sua eleição (Pronatec), tinha como finalidade ampliar a oferta de cursos de Educação Profissional e Tecnológica (EPT), por meio de programas, projetos e ações de assistência técnica e financeira.

Sete anos depois, os números exibidos pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o programa patinou ao longo dos anos após a sua criação e ficou muito aquém da meta de qualificar um mercado emergente como o Brasileiro, nas áreas industriais e de alta tecnologia. A nossa formação técnica não atende sequer à demanda e no bojo de milhões de desempregados, está a questão da má qualificação técnica dos candidatos ao mercado de trabalho.

Hoje o Brasil, conforme a CNI precisa capacitar 10,5 milhões de trabalhadores para o mercado de trabalho de alta tecnologia industrial até 2023. São demandas nas áreas de engenharia de produção, robótica, eletroeletrônica, informática, transporte e logística, energia e telecomunicações. Tanto em nível técnico como em nível superior.

O Pronatec, em tese, tem como principais metas, a expansão das redes federal e estaduais de Ensino Profissionalizante e Técnico, a ampliação da oferta de cursos à distância, e a ampliação das oportunidades de capacitação para trabalhadores de forma articulada com as políticas de geração de trabalho, emprego e renda. Para tanto, diz as premissas do programa, criou a Bolsa Formação, com ações específicas, como os Programa Brasil Profissionalizado; Rede e-Tec Brasil; e Plano de Expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica

Seu público específico seriam os estudantes do ensino médio da rede pública, inclusive da educação de jovens e adultos; os trabalhadores; os beneficiários dos programas federais de transferência de renda e; os estudantes que tenham cursado o ensino médio completo em escola da rede pública.

Contudo, um ensino profissionalizante, quer de nível técnico ou superior, requer uma base curricular que só é possível com a reestruturação do Ensino Fundamental e Ensino Médio. E o que se viu no Brasil nos últimos anos foi uma contínua perda de qualidade desses dois segmentos. Dados do Ministério da Educação, referentes a 2017, revelaram que 70%, ou seja, sete de cada 10 estudantes brasileiros, concluem o Ensino Médio, têm aprendizado insuficientes em Português e Matemática. Em Matemática a deficiência no aprendizado chegou a 71,6%, e em Português, 70,99%. Desses, 23,9%, estavam no nível mais baixo de aprendizado.

Em março deste ano, a Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (PNAD/IBGE), revelou que dos 13,4 milhões de desempregados 635 mil dificilmente conseguiram colocação no mercado de trabalho por absoluta falta de qualificação profissional. E não há como se obter qualificação profissional quando não se sabe fazer as quatro operações aritméticas, ou quando não se tem a mínima condição de interpretação do próprio idioma

A geração do “é noiz”, do “tamo aí”, do “sextou” ou “sabadou”, agora começa a pagar o seu tributo na falta de condição de entrar no mercado de trabalho em um mundo que avança a passos largos no aperfeiçoamento tecnológico e da informação.

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