A defesa de qual Amazônia?

Adilson Fonseca


Tribuna da Bahia, Salvador
28/08/2019 09:53

   

Girafas, elefantes, pinheirais, balneários à beira mar, e até mesmo uma foto de 2003. A Amazônia nunca foi tão pródiga na natureza geográfica a partir de janeiro de 2019. E nunca despertou tantos interesses nacionais e internacionais como nos tempos atuais. A ponto até de deixar de ser considerada território brasileiro para ser “território do mundo”      como deixou claro o presidente francês, Emmanuel Macron.

Mas a floresta equatorial, e não savana, portanto sem ser habitat de elefantes, girafas, leões e tigres, como nas fotos postadas em redes sociais, e com uma vegetação exuberante, que em nada lembram os pinheirais das florestas do Hemisfério Norte ou mesmo as araucárias do sul do Brasil, está queimando, como vem ocorrendo em todos os anos, sempre nessa época. Não apenas no Brasil, mas também na Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, países que compõem o seu território.

A Amazônia não é apenas brasileira, mas a parte que está no Brasil faz parte da administração brasileira e, portanto, cabe a esta administrá-la, preservando-a, mas também garantindo a sua integridade, não apenas territorial, mas de suas riquezas minerais e dos seus habitantes. Daí que da responsabilidade devem participar o Governo Federal, como gestor federativo, mas também os governos estaduais, como gestores de cada porção de terra que compõem os respectivos estados amazônicos.

O que deveria ser um bem comum, com críticas para tornar eficiente essa proteção, mas também com ações e proposições para efetivá-las, tornou-se uma disputa ideológica, com interesses próprios e não coletivos. O que deveria ser de interesse nacional, virou interesse político partidário, onde o objetivo parece ser o de se fazer o possível para que nada dê certo. Nessa luta insana, onde parece não existir o interesse comum, quem perde é a Amazônia, o Brasil e os brasileiros.

Parte da sociedade política e politizada não se deu conta de que já se passaram oito meses de 2019, e que outubro de 2018 ficou lá atrás. Mas continua a agir como se estivesse em um palanque eleitoral. Em qualquer democracia no mundo, a oposição existe para fiscalizar e cobrar de quem está no poder, mas também propor ações, através de projetos e leis. E quando o interesse maior do País é colocado em risco, não se une ao adversário político, por questões de princípios ideológicos, mas também não o impede de trabalhar, pois o País passa a ser visto como de todos.

A Amazônia não é de um governo, que muda a cada quatro ou oito anos, mas do Estado Brasileiro. E se ela está ameaçada, por causas naturais, como as queimadas, ou interesses diversos, como as ações criminosas, deve ter uma defesa comum. E nessa defesa comum vale muito mais o apoio a ações do que retóricas que não apagam as chamas, mas apenas colocam mais combustíveis no fogo das ideologias, onde todos acabam se queimando.


* Adilson Fonseca é Jornalista (adilson.0804@gmail.com)


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