Muito mais que 0,4%

Adilson Fonseca


Tribuna da Bahia, Salvador
03/09/2019 23:40

   

Em 1940, ao fim da Batalha da Inglaterra, e contra todas as probabilidades, ao obter as primeiras vitórias contra os nazistas, começava ali uma mudança de curva do curso da guerra. Após derrotar a França e com a Europa dominada pelos nazistas, restava apenas a Inglaterra para fechar o cerco. Adolf Hitler esperava uma rendição dos ingleses, o que não aconteceu. Após o revés alemão, o estadista britânico, Winston Leonard Churchil(1874-1965) comemorou: “Isso não é o fim; não é nem o começo do fim; mas, talvez, seja o fim do começo”.

Um segundo para o conjunto do dia, 24 horas, é uma insignificância. Mas esse curtíssimo tempo, mesmo quando medido em fração de segundo, pode significar a vitória para um atleta de corrida, para um nadador, ou mesmo para o corredor de Formula Um. São medições que têm maior ou menor peso, a depender do contexto em que ela esteja inserida, e na matemática econômico-financeira, pode significar milhões, no percentual da queda de juros, ou no índice de desempregados.

O percentual de 0,4% de crescimento da economia brasileira, no último trimestre, representa uma insignificância, se formos analisar a fração decimal no conjunto da matemática, mas representa muito quando essa fração decimal significa uma inversão da curva de desenvolvimento. Representa anda mais quando esse mesmo percentual significa a redução do número de desempregados, que caiu de 12,5 para 11,8%. Mais ainda se essa redução significa aproximadamente novos 600 mil trabalhadores reinseridos no mercado de trabalho.

Daí ser mais que aceitável que o governo e alguns setores da economia comemorem o resultado, não como o fim da crise econômica, mas, usando a metáfora de Winston Churchil, o fim do começo. O começo de uma recessão que se agudizou no final de 2017 e que atingiu o limite mínimo da atividade econômica em 2018, e cujos reflexos são sentidos agora. E que geraram uma eufórica expectativa de mudança com a ascensão ao poder do presidente Jair Bolsonaro, em janeiro deste ano.

O crescimento de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB), foi o dobro do previsto, o que livra o país de entrar em uma recessão técnica. Foi fruto de intervenções pontuais na economia, cujos resultados não vêm de uma hora para outra, pois é preciso a assimilação do mercado e a retomada da confiança dos investidores.

Para isso contribuíram várias medidas como o anúncio da abertura do mercado brasileiro para outros países, que fez com que a Indonésia abrisse seu mercado para a carne bovina brasileira. A isenção de vistos para turistas de vários países, que possibilitaram a injeção de mais de U$S 598 milhões na economia. E a criação de mais de 408 mil novos empregos, já considerando as demissões, nos seis primeiros meses do ano.

Incentivos como a Medida Provisória que criou a Liberdade Econômica, que entre muitos avanços dispensa alvará de funcionamento para atividades de baixo risco, no âmbito interno, e o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein), que elevará o PIB do Brasil em US$5,2 bilhões em 15 anos. E o acordo de livre comércio Mercosul-União Europeia, o que representará o aumento da produtividade industrial e elevará o PIB brasileiro em US$ 87,5 a 125 bilhões de dólares em 15 anos.

Como uma carreta descendo uma ladeira em velocidade crescente, a frenagem tem que ser devagar, porque senão ela capota e dá o conhecido “cavalo de pau”, por causa do peso da carga. A redução tem que ser lenta, mas consistente. Na economia o processo de recuperação também é lento, mas tem que ter consistência, para que a confiança dos investidores seja reconquistada. É aí que entram as medidas saneadoras, como no nosso caso, as reformas estruturais, da Previdência, Tributária e Administrativa.


Adilson Fonseca é jornalista (adilson.0804@gmail.com).


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