Um recado duro e objetivo

Adilson Fonseca


Tribuna da Bahia, Salvador
25/09/2019 09:09

   

O presidente Jair Bolsonaro foi para o ataque. Quem esperava um discurso vazio, tímido e até mesmo acovardado ante as críticas internacionais promovidas por alguns países nos últimos meses, principalmente em relação ás questões ambientais e direitos humanos, deve ter se surpreendido com o tom duro e objetivo do presidente, no seu discurso de abertura da 74ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada nesta terça-feira, em Nova York, Estados Unidos.

De forma clara, o presidente abordou questões como a preservação da Amazônia, a demarcação de terras indígenas, a intolerância religiosa, os índices de violência urbana causados pela criminalidade, e também da abertura do mercado brasileiro a outros países, sem se pautar pelo viés ideológico, formando não só acordos em blocos, como o do Mercosul, mas também bilaterais.

Sem meias palavras, o presidente apresentou o que ele chamou de “um novo Brasil”, e desnorteou quem imaginava que ele faria apenas projeções futuras voltadas para a economia. Logo de início, após as saudações de praxe, ao se referir ao novo Brasil, ele disse que encontrou um país à beira do abismo econômico e social, com corrupção desenfreada, criminalidade alta e quebra de valores sociais, como a família e a religião. Fruto, como disse, de desgovernos de cunho ideologicamente de esquerda.

Perante os representantes de 197 países, Bolsonaro se apresentou como aquele que se propõe a soerguer o Brasil, mudando a sua imagem e com o firme propósito de não apenas recuperá-lo economicamente, mas também do ponto de vista moral. Nesse particular não poderia deixar de citar a corrupção que desviou do país algumas centenas de R$ bilhões, que manteve relações de financiamento com países considerados ditaduras, e que se pautava economicamente com forte viés ideológico.

De uma forma direta atacou a ditadura cubana, citando o Programa Mais Médico, onde o Brasil pagava R$ 300 milhões por ano para abrigar 10 mil médicos cubanos, que recebem apenas 30% do valor do contrato, e a Venezuela, envolta em uma crise política e econômica sem precedentes. E de forma indireta, França e Alemanha, na questão dos povos indígenas e da Amazônia.  Afirmou que países veem o Brasil por uma ótica deturpada e sem estar devidamente inteirado da realidade brasileira, considerando o Brasil como num dos maiores preservadores do meio ambiente, e com menor uso de terras para a produção agrícola, e com 14% do seu território destinado à demarcação de terras indígenas.

Mas também fez afagos a países como estados Unidos, Israel, Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai, ao tempo em que anunciava os acordos com a União Europeia, com a Organização de Comércio e Desenvolvimento Econômico, e com a liberação de vistos para estrangeiros de países considerados amigos. No convite de natureza econômica, além de citar as viagens já realizadas, citou a China, a Índia, os países árabes e a própria Europa, como futuros parceiros econômicos.

Sem baixar a guarda e sempre no ataque, encerrou o discurso mandando um recado para a própria ONU, ao afirmar que o Brasil estava pronto para colaborar em todas as questões internacionais, mas que considerava a entidade como uma organização de união e de respeito com todos os países, e que esse respeito e cooperação passa necessariamente pela soberania e autodeterminação democrática de cada país.

Deu o recado e se mostrou como um novo líder de um novo Brasil.


*Adilson Fonseca é jornalista e escreve neste espaço às quartas-feiras.


(adilson.0804@gmail.com)


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