Alexandre e Barroso(STF), os grandes contra o “setembraço”

Por Vitor Hugo Soares*


Tribuna da Bahia, Salvador
11/09/2021 00:32

   

Mesmo com o ambiente carregado de eletricidade negativa e das ameaças ainda latentes para a vida e a estabilidade democrática do País – diante dos atos de insurgência, afronta e desacato às decisões judiciais, promovidos pelo presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores, no 7 de Setembro – há de se destacar as ágeis e firmes reações da sociedade e de suas instituições. A começar pelo presidentes, do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, que saiu em defesa do STF e  seus membros atacados (“ninguém fechará esta Corte”) e do presidente do TSE, Luis Roberto Barroso, pela urna eletrônica de voto livre e apuração segura, em aviso duro e direto ao inverter o lema do agressor (“conhecerás a mentira e ela o aprisionará”). Veio então a carta de “retratação” escrita pelo cordato  ex-presidente Michel Temer, trazida no bolso do colete a Brasília para o “durão” do Planalto assinar. Mansamente

E chegamos ao momento do “quem ganhou e quem perdeu” neste episódio bizarro e exemplar. Há destaques relevantes e meritórios no plano pessoal, profissional e cívico, do enfrentamento do estupro da lei e  desprezo aos princípios basilares da convivência democrática, feridos por um governante desesperado, (“farsante” na expressão do ministro Barroso, em discurso pedagógico). Incapaz de responder aos desafios reais – a pandemia que já tirou quase 590 mil vidas; inflação de quase dois dígitos ; a fome que volta a milhões de lares e de famílias; a crise hídrica e de energia que avança – mas aferrado ao mando. Em permanente estado de ódio e campanha eleitoral.

Entre outros destaques, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco e o vice-governador do DF, Pacco Brito, quando o governador Ibaneis Rocha sumiu, na tensa véspera da tentativa vil de ocupação de Brasília na calada da noite.

Mas Alexandre de Moraes foi, sem dúvida, o grande nome em firmeza e ações decisivas frente a tentativa de sítio e auto-golpe . Foi Moraes a figura central da ira do mandatário (até no seu discurso “para o Brasil e para o mundo,” na Avenida Paulista) e de seus arautos. Alguns deles presos previamente, – a exemplo do ex-deputado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson. E Jason Miller (ex-conselheiro do ex-presidente americano derrotado, Donald Trump) criador da rede social direitista GTTER, de estranha presença no Brasil, detido na hora do embarque de volta aos  EUA, para depor na PF.  A “detenção do americano desestabilizou por  completo o presidente quando discursava em SP.

 O ministro, condutor do inquérito das fake news, encarnou o perfil de fiel cumpridor de dois mandamentos do Decálogo do Estadista, segundo o apóstolo da resistência democrática à ditadura.  Ulysses Guimarães: a Autoridade e a Ordem. O 9° Mandamento reza: “A autoridade é um atributo inato... A competência funcional é dada pelo cargo, a autoridade é pessoal, o homem público é gratificado por ela...”. No 10º mandamento, Ordem, como preceito político e moral, Ulysses cita São Tomaz de Aquino: “a ordem é as coisas no seu lugar... É a capacidade de escolher. Quem confunde as coisas, desconhece prioridades, não tem senso de ordem. O estadista discrimina o essencial e o urgente para praticá-l os. Kennedy afirmou que "governar é dirigir pressões”. Quem cuida de coisas pequenas acaba anão”. Precisa desenhar quem ganhou e quem perdeu?.

*Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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