Almir Garnier, Comandante Geral da Marinha

Por desembargador João Augusto A. de Oliveira Pinto*


Tribuna da Bahia, Salvador
19/04/2021 21:31

   

Almir Garnier Santos, nasceu em 22 de setembro de 1960, no Rio de Janeiro. Ingressou na Escola Naval, em 1978, concluindo o curso de formação de Oficial, em 1981, laureado como aluno primeiro colocado de sua turma. Ao longo de vitoriosa carreira serviu em embarcações como as fragatas Independência, União, e o Navio Escola-Brasil. Comandou, também, o navio de apoio logístico Almirante Gastão Mota. Apaixonado pelo mar, inspirou-se no dizer de Fernando Pessoa para quem “Deus ao mar o perigo deu. Mas nele é que espelhou o céu”. Singrando os mares, fitando o céu, o jovem marinheiro realizou diversos cursos militares, concluindo o Mestrado em pesquisa operacional, análises de sistemas, na Naval Postgraduate School, nos Estados Unidos, e MBA, em Gestão Internacional, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como Almirante de Esquadra, desempenhou, com brilho, as atribuições de Secretário-Geral do Ministério da Defesa. 

Antes, Amir Garnier conquistara a Bahia e os baianos ao comandar o 2º Distrito Naval do Brasil, gravando de modo indelével sua marcante passagem, angariando o respeito e a admiração de todos, criando e cultivando, aqui, um vasto círculo de sólidas afeições. Certamente, pecarei por omissão, mas, até pelos limites estreitos deste escrito, peço todas as vênias aos seus amigos para referir-me a dois deles que, também, para a minha satisfação, integram o rol das minhas amizades mais queridas: Joaci Góes, Advogado, empresário e imortal da Academia de Letras da Bahia, de cultura polimorfa, como gosto de dizer, o maior intelectual vivo da Bahia, ex-deputado federal constituinte, relator do Código de Defesa do Consumidor, e Nelson  José de Carvalho, doublé de Cirurgião Dentista e Jornalista, figuras humanas excepcionais. Pelas honradas mãos de Nélson, o Almirante passou a compôr a Ordem do Nosso Senhor do Bonfim, e a frequentar o nosso Yacht Clube da Bahia, integrando-se, completamente, à sociedade soteropolitana. Tudo isso, sem comprometer suas vastas responsabilidades como Comandante do distrito naval que cobre a mais extensa fração do litoral brasileiro. Particularmente, tive a satisfação de representar o meu Tribunal de Justiça do Estado da Bahia quando, em memorável noite, a Câmara de Vereadores de Salvador, uma das mais antigas do Brasil, a mais antiga criada nas Capitais, por notável iniciativa de sua briosa edilidade, outorgou o título de Cidadão soteropolitano ao então Comandante do 2º Distrito Naval. Mais tarde, recebeu o título de Cidadão baiano, no reconhecimento, também, da Assembleia Legislativa da Bahia, de sua contribuição ao nosso desenvolvimento. Substituindo o honrado Almirante Ilques Barbosa, na recente reforma ministerial, assumiu o Comando Geral da Marinha, em 9 do mês corrente. 

Feliz o país cujas Forças Armadas têm tão plena consciência do seu papel constitucional, mantendo a tradição republicana e democrática do Brasil, como foi sempre o propósito de Dr.Ulysses Guimarães, político-jurista, que liderou a votação da Constituição Cidadã, que vem, como farol, guiando o povo brasileiro nestes tempos temerários, para recordar a conhecida expressão do mestre Nestor Duarte.

  O Marinheiro Garnier, carioca-baiano, numa demonstração a mais do seu amor pela Bahia, agendou nossa terra como o destino de sua primeira visita oficial como Comandante da Marinha do Brasil, que tem como patrono o Almirante José Marques de Lisboa, o gaúcho Marquês de Tamandaré, herói nacional. 

Será mais um encontro festivo entre a Bahia e o seu povo com seu ilustre filho.


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