Artigo: A colcha pequena de Rui

Por Victor Pinto*


Tribuna da Bahia, Salvador
10/01/2021 21:39

   

Se cobrir o pé do senador Otto Alencar (PSD) vai descobrir o do vice-governador João Leão (PP). Se cobrir o pé de Leão vai descobrir o pé de Otto. A colcha pequena do governador Rui Costa (PT) tem sido um xis da questão da sonhada pacificação da base pela presidência da Assembleia Legislativa da Bahia. Sonhada tanto que o petista, em um apelo de cunho brincalhão, chegou a pedir de presente de aniversário dos deputados que se entendam pela unidade.

A dupla Otto e Leão provou ser o pilar governista e político do PT no Estado da Bahia entre lideranças, vereadores, prefeituras e deputados, e com bom trânsito também no cenário nacional pelo Congresso, cujo diálogo com a base opositora local e nacional não passa batido nesse jogo, principalmente porque por lá fizeram escola política pelas vias do carlismo.

Contudo, essa unidade, que tem o senador Jaques Wagner (PT) como principal construtor, tem sofrido abalos, seja na parte administrativa, seja na parte política, onde a ocupação do principal gabinete do Palácio Luís Eduardo Magalhães se tornou a cereja do bolo.

De um lado Adolfo Menezes (PSD), do grupo de Otto, que se agarra no acordo feito na governadoria em dezembro de 2018, para suceder Nelson Leal (PP) no comando da AL-BA. Do outro Niltinho (PP) se valendo do discurso de que não fez pacto com ninguém, correndo por fora, no primeiro mandato, com o aval de Leão que também argumenta não ter sido procurado para avalizar a parceria.

Se palavra dada não for um acordo, realmente desconheço sua formatação, ou a traição já se tornou algo banal. Acho que mesmo com um contrato assinado essa questão seguiria questionada como segue agora.  

A colcha não é só curta sobre a Assembleia, mas também na composição de 2022. Ao invés dos quatro assentos de 2018 na majoritária, agora ficarão disponíveis apenas três. Leão não pode ser candidato a vice mais uma vez, mas pode ser a governador ou a senador. Otto, que pode renovar por oito anos o assunto no Senado, não descarta concorrer ao Executivo. Por outro lado surgem as figuras de Jaques Wagner como um eventual pacificador, e Rui Costa, citado como virtual nome para o Senado Federal. Como vai fechar essa conta?

Do outro lado, tentando costurar uma nova colcha, ACM Neto de olho nesse racha com o objetivo de jogar no colo de Rui uma derrota diante da bagunça da disputa na AL-BA: se utiliza da bancada de oposição como um peso e uma massa de manobra para interferir no jogo que antecipa, de certo modo, cenários de 2022.

Ou há remendo suficiente na colcha de Rui para poder garantir a cobertura dos pés dos principais aliados, com nova conjuntura que passa pelo legislativo, pela nova reforma administrativa e que tem a possibilidade de melhor acomodação para o próximo pleito, ou os problemas estarão à vista. Mas convenhamos: Rui, em tese, está de saída, o embrulho ficaria para JW. A conferir.

*Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura política em sites e rádios de Salvador. Twitter: @victordojornal


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