ARTIGO: Contagem regressiva para o dia do fico ou não de Rui

Por Victor Pinto*


Tribuna da Bahia, Salvador
17/01/2021 21:25

   

No ano de 2018 o então prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), passou por um dilema difícil que impactaria sua carreira política: renunciar a prefeitura de Salvador e concorrer ao governo do Estado - cuja posse de Bruno Reis (DEM) teria sido antecipada - ou seguir até o fim com seu mandato. No dia 6 de abril daquele ano disse que ficava. Depois declarou não ter se arrependido da decisão tomada. Em breve, essa situação baterá na porta do governador Rui Costa (PT).

Em meados de abril de 2022 o petista decidirá se fica ou se sai do governo do Estado. A cruz e a espada: Se entrega as chaves do Palácio de Ondina ao vice João Leão (PP) ou leva até o fim aquilo que lhe fora dado pela população no mesmo ano o qual Neto decidiu não concorrer com ele a gestão do Executivo baiano.

O recente presente dado por Rui a Leão como consolo pela perda da presidência da Assembleia Legislativa da Bahia, a Casa Civil, importante secretaria, injetou combustível na discussão nos bastidores sobre a futura decisão do petista. Apesar de dizer que quem anuncia nomeação é ele até dia 31 de dezembro de 2022, os pepistas não iriam mentir ao cravarem o cacique do partido na pasta e mais Nelson Leal (PP) na secretaria de Desenvolvimento Econômico (tudo isso para não voltar para Planície após a derrota para Adolfo Menezes na disputa da AL-BA).

Membros do PT nacional acreditam que para a articulação do jogo da presidência, Rui deveria ficar até o fim, isso se não for o candidato a presidente, fato não descartado, vale salientar, que ajudaria a puxar a majoritária estadual para cima. Entregar o governo a Leão, que tem excelente trânsito em Brasília e diz a todos que não briga com ninguém, pode colocar de alguma forma uma pedra no caminho.

Há quem diga que por Otto Alencar (PSD) e pelo criador da criatura, senador Jaques Wagner (PT), Rui ficaria até o fim. Impossibilitado de compor a chapa, ficaria o caminho livre das três vagas serem compartilhadas entre as três forças do grupo: PT, PSD e PP.

Convenhamos também que Rui precisaria ter mandato e por isso centrar fogo na vaga do Senado Federal para continuar a exercer influência no cenário político baiano. Se o PT ficar com esta vaga, como ficaria a cabeça da chapa? Também para o PT com Wagner ou com o PSD com Otto? Ou uma outra melhor distribuição entre as siglas da aliança? Questões que rondam. Leão já estaria sentado na cadeira de governador e, em tese, caminharia para encerrar sua carreira política.

Sem mandato, diferente de ACM Neto que tem se apegado ao cargo de Presidente Nacional do DEM e emplacou sucessor da sua linhagem na prefeitura, Rui teria apito mudo e muitos daqueles adeptos do fogo amigo e que fazem contagem regressiva para vê-lo fora da cadeira de governador não veem a hora disso ocorrer.

No poder ou fora dele, alguns deputados e assessores os quais conversei creem de pé junto que os olhares do menino da Liberdade não são para Brasília - poderia ser só por manutenção de força política - mas para a cadeira maior da prefeitura de Salvador em 2024. De fato, o petista seria um nome competitivo à altura para elevar os últimos fiascos do PT, caso ele permaneça na sigla, contudo a história recente nos mostra que a última vez que um ex-governador tentou foi César Borges, em 2004, derrotado por João Henrique. Seria então Rui o predestinado a quebrar esse tabu.

*Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura política em sites e rádios de Salvador. Twitter: @victordojornal


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