Artigo: O efeito João Santana

Por Victor Pinto*


Tribuna da Bahia, Salvador
02/05/2021 20:04

   

A entrada de cabeça do marqueteiro João Santana na campanha publicitária do PDT em prol de Ciro Gomes já demonstra o tom que deve ser adotado pelo político, conhecido por seu ar explosivo e ácido de fazer discursos e críticas. Mas o questionamento que fica: até quando Santana vai conseguir amaciar a imagem do cearense e manter a linha do Ciro das Rosas.

Patinhas, como é conhecido, volta ao cenário eleitoral após ter passado batido em 2018 quando estava preso. Foi o responsável pelas campanhas vitoriosas da reeleição de Lula (PT) em 2006 e a eleição e reeleição de Dilma Rousseff (PT) em 2010 e 2014, respectivamente. Foi condenado em 2017 no âmbito da Operação Lava Jato pelo ex-juiz Sérgio Moro. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), parte da propina paga a partir do esquema de corrupção existente na Petrobras foi destinada ao PT para pagar serviços eleitorais, cujo apelido utilizado pelos envolvidos era “Acarajé”.

Desde a sua entrevista histórica no Roda Viva, mostra simpatia por Ciro e chegou a cravar que a chapa ideal seria o pedetista com Lula.  Mas enquanto essa conjunção não chega, o publicitário baiano vai fazer muito barulho na pré-campanha. Até 2022 teremos movimentações que logo logo os levantamentos vão nos mostrar reações, ou não.

O senador Jaques Wagner (PT), quando questionado sobre o assunto na conversa que tive com ele na Piatã FM, rasgou elogios a Santana, mas deu um tom irônico: “Se o Ciro vai ficar nas rosas ou nos espinhos depende menos do marqueteiro e mais dele, né? Vamos ver como se desenrola isso aí”. Espinhos ou não, conhecedor das táticas e profeta da queda dos outsiders no processo eleitoral, João quer a viabilidade da terceira via longe dos ódios do antipetismo e do antibolsonarismo.  

O jogo de 22 será para profissionais. As lições de 18 já foram aprendidas pelos políticos de carreira e os envolvidos no marketing. Não haverá vez para amadorismo ou pseudo amadorismo nas diferentes frentes que compõem uma campanha vitoriosa. Se o efeito Santana terá efeitos colaterais ainda não é possível mensurar.

Um adendo: há quem considere, mas acho remoto, de um intercâmbio de Santana com a campanha na Bahia, pois não está descartada a formação da vice de Ciro ser um indicado do DEM, partido comandado pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto - novo aliado dos pedetistas. O nome do ex-ministro Mandetta é cotado e Neto seria o responsável pelo palanque no quarto maior colégio eleitoral do Brasil. Se a disputa pelo Palácio de Ondina aqui empolgar, consequentemente o nacional é beneficiado por isso. E, convenhamos, de solo baiano Santana entende.

*Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura política em sites e rádios de Salvador. Twitter: @victordojornal

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