Artigo: O que vi de perto na CPI da Pandemia

Por Victor Pinto


Tribuna da Bahia, Salvador
09/05/2021 23:34

   

A CPI da Pandemia, apesar de muito cedo para serem tiradas conclusões, como diz um bom interiorano, no arriar das malas deixa claro que muito pouco deve surtir efeito no viés jurídico pelo intuito que fora instalada. Com prerrogativa de investigação, o relatório final, um inquérito, é entregue ao Ministério Público para as devidas providências de responsabilização no ordenamento legal.

A primeira semana de depoimentos - eu acompanhei de perto em Brasília - deixou clara a inação do governo Bolsonaro frente à pandemia. Desacreditar no “necropoder” do vírus foi o erro que ainda permanece, apesar das mais de 400 mil mortes registradas no Brasil. Não houve intenção de se criar uma campanha oficial de prevenção.

Mandetta (DEM), um orador nato, foi definitivamente o melhor dos depoimentos colhidos. Frases de efeito, respostas incisivas. Tudo que um pretenso candidato à Presidência da República - ou a vice de Ciro Gomes - precisa para ganhar a mídia e ditar a narrativa. Não trouxe nada de novo, apesar da carta enviada a Bolsonaro mostrando a preocupação com a escala da pandemia, cujas previsões quando estava à frente do ministério se concretizaram.

Teich foi apático. Técnico e evasivo, mas não mais do que o atual ministro Queiroga que fugiu de todas as perguntas: chegou a tirar a paciência do relator Renan Calheiros (MDB) e do presidente da CPI, Omar Aziz (PSD). Teich só confirmou o pedido demissão dada a tara do presidente pela cloroquina.

Destaque e registro ao senador baiano Otto Alencar (PSD) que chegou a protagonizar discussões de cunhos técnico e político. Durante o depoimento de Teich teve total visibilidade.

A mira da tropa bolsonarista aos governadores desafetos do Planalto pode não ser certeira. Apesar da ampliação do objeto da comissão, as convocações queridas - e Rui Costa (PT) está entre aqueles que senadores querem convocar, a exemplo de Marcos Rogério (DEM) - não deve se concretizar. O principal alvo é Bolsonaro e sua trupe.

Apesar de ser cedo, a CPI, no fim das contas, vai acabar em pizza, porém a sua importância recairá nos aspectos políticos e históricos. O primeiro por gerar fatos eleitorais o tempo inteiro e tentar sangrar, de alguma forma, a imagem do presidente e seus aliados. O segundo pelo registro na história, nos anais do Congresso e da imprensa. Algo forte que não será apagado da memória.

Mas a massa começa ser sovada…

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