Berrante Sérgio Reis, conciliador Mourão (com Barroso)

Por Vitor Hugo Soares*


Tribuna da Bahia, Salvador
20/08/2021 21:04

   

Dois passos e dois fatos recentes destes dias de agosto – ao lado do tombo do “mito” na nova pesquisa do XP – com sinalizações inversas, mas significativas, dão o tom das movimentações no tabuleiro de xadrez da política e das instituições no País. Mexidas tensas e de alto risco (mas também de acomodamento e refluxo) no jogo de guerra e poder entre Executivo X Judiciário, tendo pedras movidas de um lado pelo irado ocupante do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro (e seus peões, torres e rainha) e do outro, dois estilistas na arte dos embates no Supremo Tribunal Federal, ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre Moraes, respectivamente atual e futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para  desespero do mandatário, em campanha escancarada e permanente para continuar no car go.

No meio do conflito, dois outros nomes se destacaram.  De um lado, o cantor sertanejo, Sérgio Reis, ex-deputado de pacata e inexpressiva atuação parlamentar que, no ocaso de carreira, virou um berrante e incendiário militante do bolsonarismo mais radical e de pavio curto, a ponto de pretender conduzir caminhoneiros a uma greve improvisada e inoportuna, e ameaçar invadir a sede do STF e do Congresso, caso não seja atendido em seu pleito: aprovação do voto impresso para 2022, até o próximo 7 de Setembro. Do outro, o general vice-presidente, Hamilton Mourão, no papel de esfinge moderadora da República, conversa fora da agenda com o ministro Barroso, enquanto tanques desfilavam em Brasília.

No primeiro caso, uma “entidade” estranha e maléfica, parecia ter-se apoderado do cantor e ex-parlamentar, famoso por suas líricas e bem comportadas canções, que se transmuda em incendiário pretenso líder, com palavras de ordem radicais, provocadoras e aventureiras. Em vídeos, o cantor do “Menino da Porteira” comporta-se como "dono das estradas do país", convocando caminhoneiros e a população a se manifestarem, no feriado nacional da Independência, “em defesa do presidente Bolsonaro”, pelo fechamento do Supremo Tribunal Federal“ e destituição de todos os ministros”. Mais: esperaria 48 horas e, caso não fosse atendido, iria invadir a sede do STF em Brasília. Ficou só, com o seu berrante, perdido na estrada, entrou em depressão, dizendo-se usado por amigos, “que desapareceram”. Com Sérgio Reis recluso, calado e arrependido, a mulher do deputado foi direto ao ponto, em entrevista à colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo. Ângela Bavin, disse que o marido “teve uma crise de diabetes e está muito deprimido”, depois da repercussão negativa de sua fala. O resto é segredo, ainda. Mas a Polícia Civil do Distrito Federal instaurou inquérito e apura o que está por trás desta insensata história. E o artista dê-se por satisfeito, se ficar só no nisso, e que o ministro do STF, Alexandre Moraes não resolva também tirar a limpo esta nebulosa ameaça ao Judiciário e às instituições democráticas.  

Na outra banda do tabuleiro, vale destacar o encontro do vice-presidente Hamilton Mourão com o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, na terça-feira do desfile dos tanques. O Estadão revelou que o general descartou qualquer possibilidade de golpe militar – “chance zero” – na conversa na casa do jurista. Barroso saiu “aliviado” do encontro, segundo outras fontes qualificadas. É o que importa, por enquanto.No mais, “vida que segue”, diria o dsudoso João Saldanha.

*Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br


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