Cuba atualiza sua vacina para combater a Ômicron em meio ações restritivas pelo mundo

Por Túlio Ribeiro* 


Tribuna da Bahia, Salvador
03/12/2021 21:49

   

Enquanto o mundo  se  impressiona com a Ômicron, uma variante do covid , Cuba começa aprimorar sua vacina . A situação piora  ao levar a vacinação  se tornar obrigatória na Alemanha a partir de fevereiro, disse Angela Merkel , ao anunciar o que seu sucessor como chanceler, Olaf Scholz, descreveu como “um bloqueio dos não vacinados”. 
 
“Entendemos que a situação é muito grave e queremos tomar outras medidas além das já tomadas”, disse ela. “Para fazer isso, a quarta onda deve ser quebrada, e isso ainda não foi alcançado.” 
 
No outro lado do mundo e sofrendo bloqueio dos europeus e estadunidenses , pesquisadores cubanos , em caráter protagonista, estão atualizando suas vacinas contra o coronavírus para garantir proteção contra a nova variante do Ômicron. 
 
O diretor do "Instituto Finlay de Vacunas de Cuba" ,Vicente Verez, afirmou  que estava claro que a vacina Soberana-02 do país continuaria a fornecer “um certo nível de proteção” contra Omicron. 
 
“Decidimos na semana passada começar a desenvolver uma variante do Soberana Plus com a proteína Omicron RBD.Já começamos, e essa proteína está sendo construída no momento.”, abordou Verez na terça-feira, citando o domínio de ligação ao receptor (RBD), uma parte chave do vírus localizada em seu “pico”. 
 
A capacidade de produção  da Soberana ao mês,  segundo Verez,  pelo Instituto Finlay é de  10 milhões de doses de Soberana por mês, relatada pela a revista Nature. Mais de 81 por cento da população de 11 milhões de Cuba está totalmente vacinada, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins. 
 
Alguns fabricantes globais de vacinas, incluindo BioNTech, expressaram confiança cautelosa de que suas vacinas ofereceriam forte proteção contra a Ômicron, que foi designada uma “ variante de preocupação ”. 
 
Sinaliza-se que Ômicron é mais transmissível do que outras variantes, embora não se confirme ainda sintomas  mais graves, baseado em pacientes do Lesoto e África do Sul. 
 
Cuba está sob embargo dos Estados Unidos há anos. No início da pandemia, as autoridades preocuparam-se em não conseguir ter acesso às vacinas ocidentais devido às sanções comerciais, então começaram a produzir as suas próprias, tornando mais inovadora a capacidade da ilha de superar adversidades. 
 
"Dos 962 mil 778 pacientes com diagnóstico da doença, 694 permanecem internados, destes 672 com evolução clínica estável. Ocorrem 8.305 mortes (0 durante o dia), uma letalidade de 0,86% contra 1,99% no mundo e 2,42% nas Américas", em dados oficiais.(https://salud.msp.gob.cu/) 
 
Cuba desenvolveu um setor de biotecnologia incomumente grande para um país de seu tamanho, disponibilizou vacinas para vários de seus aliados, incluindo Vietnã , Venezuela, Nicarágua e Irã. 
 
A vacina Soberana-02 é mais de 90 por cento eficaz na prevenção da infecção sintomática por COVID-19, quando usado em combinação com uma vacina relacionada, de acordo com um estudo preliminar publicado pelo portal de pesquisa medRxiv1 em novembro. 
 
Ao desenvolver o Soberana-02, o instituto comandado por Verez utilizou sua tecnologia de vacina conjugada existente. Isso envolve pegar uma proteína ou açúcar de um vírus e ligá-lo quimicamente a um fragmento inofensivo de uma proteína neurotoxina da bactéria do tétano, relatou a Nature. 
 
“A combinação provoca uma resposta imunológica mais forte do que qualquer um dos componentes isoladamente. As vacinas conjugadas contra meningite e febre tifóide são utilizadas em todo o mundo e há anos Cuba imuniza crianças com uma vacina desse tipo ”, segundo dados citados pela revista. Abdala é uma vacina cubana de três doses, demonstrou ser mais de 92% eficaz em testes que incluíram mais de 48.000 participantes. 

Cuba espera ampliar as exportações de suas vacinas desenvolvidas localmente e solicitou a aprovação da Organização Mundial da Saúde (OMS) 
 
Numa ação de protagonismo em setembro, Havana iniciou vacinação para crianças de dois até dez anos .Cuba ainda não detectou a Ômicron, mas  anunciou que aumentaria as restrições a partir de 4 de dezembro para passageiros de alguns países africanos. 
 
A grande verdade é que o mundo só vencerá esta pandemia ,quando verdadeiramente democratizar as vacinas e os avanços tecnológicos  aos mais necessitados. Afinal, já se provou que não há fronteira para transmissão e não é eficiente criar guetos para protegidos. O vírus chega para qualquer pessoa, indiferente de sua faixa de renda ou continente. 

*Túlio Ribeiro é economista, pós em contemporânea, mestre em história, e doutor em política estratégia. 

 

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