Em Tempo

Por Alex Ferraz


Tribuna da Bahia, Salvador
23/07/2021 18:26

   

RODA

Anuncia a prefeitura uma "nova roda gigante" (curioso, não lembro da antiga) para Salvador. Haveria dois locais para escolha, a saber: Comércio e Praça Castro Alves. Sugiro evitar a Castro Alves. Já teve sua paisagem original distorcida demais. Bem, pensem. Ou não...

 "Quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem.” (Jean-Paul Sartre)

A omissão do Estado deixa um perigoso e cruel vácuo na sociedade

Peço licença aos leitores para reproduzir nesta coluna opinião de Ruy Altenfelder, presidente do Conselho Superior de Estudos Avançados da FIESP e da Academia de Letras Jurídicas:

"Em momentos de crise, como a provocada pela covid-19, com enormes desafios sociais enfrentados por diferentes segmentos da sociedade, refletimos sobre a referência nada otimista e crítica sobre o futuro da humanidade do livro Estado de Crise, dos sociólogos Zygmunt Bauman e Carlo Bordoni. A obra traz reflexão sobre como a maioria dos problemas que enfrentamos são criados pela ineficiência ou omissão do Estado, e como a solução desses problemas, gerados de maneira coletiva, é deixada para cada indivíduo resolver sozinho."

Desemprego, miséria e fome

Prossegue o artigo: "Trazendo para os dias de hoje, podemos pensar em questões como desemprego, miséria e fome. Esses desafios não foram gerados individualmente nem por escolhas pessoais, mas são parte de um sistema nascido desigual. Ninguém está desempregado ou passando fome porque quer ou é preguiçoso, como julgam alguns que analisam com lente simplista."

Cai a confiança do cidadão

Mais: "Quando esses problemas batem à nossa porta, porém, temos de dar conta deles sozinhos ou com uma ajuda ineficiente do poder público. Esse atrito tem gerado o declínio da confiança do cidadão no Estado. Como caminho, a sociedade tem buscado medidas emergenciais e paliativas, como campanhas de doações de alimentos e ajudas humanitárias."

Caridade não resolve

Mais um trecho:  "Essa organização e protagonismo da sociedade civil são muito importantes, mas não resolvem. Problemas como esses exigem soluções complexas e suas resoluções não dependem apenas de solidariedade e, sim, de políticas públicas, que são de responsabilidade do Estado. A dor da fome pode ser resolvida com um gesto simples: ofertar um prato de comida a quem necessita, mas a solução do problema da fome passa por políticas públicas de acesso à educação, garantias de direitos e distribuição de renda, por exemplo."


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