Gratidão, um dever sem limites

Por Oscar Santana*


Tribuna da Bahia, Salvador
21/04/2021 21:45

   

Antes de tudo, um enorme muito OBRIGADO. Meu Caro Joaci, dedicar a mim, um cineasta autodidata, um artigo tão importante e primoroso sobre educação, pode soar como uma super valorização de um operário do cinema, como me costumo identificar.

Apaixonado como o multifacetado Joaci Góes, pela educação, apesar de ter tido o cuidado de me doutorar em ciências contábeis e atuariais, pela Universidade Federal da Bahia, dos anos 1955, como uma premonição de que haveria de me socorrer neste aprendizado acadêmico, para me sustentar administrativamente, durante os 60 anos em que, talvez, por isso mesmo, tenha conseguido manter funcionando a sua produtora, a Sani Filmes, uma das poucas no Brasil com tamanha longevidade (1961-2021), de atividade permanente. Conto isto para me solidarizar com Joaci, quando defendemos, cada um do seu jeito, a necessidade de se melhorar e muito, a qualidade do ensino no Brasil, da carta de ABC à Universidade. No caso dele, Joaci, há até uma unanimidade entre seus amigos (sou um desses), leitores de seus artigos e livros, escutadores de suas palestras, de que seria um excelente Ministro da Educação. Isto seria hoje um desperdício de talento, mas necessário, se levarmos em conta o esforço sobre-humano que teria que fazer para tirar do plano terciário e anárquico, em que se encontra, a educação geral no Brasil e a Universidade em particular. Vivi os anos dourados da Universidade na Bahia, hoje em 18º lugar no ranking brasileiro. Era um tempo do Reitor Edgar Santos, quando a nossa Universidade muito floresceu. Foi lá na Escola de Teatro da Universidade da Bahia que fui buscar os atores Carlos Petrovich, Maria Muniz, Maria Adélia, Antônio Pitanga (ainda era Sampaio) e tantos outros que iluminaram os nossos filmes de então. Naqueles tempos, as nossas artes floresceram. Fosse no teatro, na música, nas artes plásticas, na literatura e no Cinema. Mas voltando à universidade como um todo, e, mais de perto, à comunhão de sentimentos de Joaci Góes, comigo, sobre a educação, está também na minha preocupação com a ignorância no Brasil. Em 1963 fiz o longa-metragem, aparentemente de ficção, O CAIPORA, mas que formulava a seguinte pergunta: "O destino é rastro ou Caminho?"  E defendia a primeira hipótese, porque via no interior o uso do destino, como desculpa para a inércia incentivada até nos púlpitos das igrejas, com a frase: “Segue teu destino”. Foi Deus que quis assim. No segundo filme, em 1975, O PISTOLEIRO, alertava: “A inteligência circunstanciada pela ignorância talvez seja a maior fonte de degradação do caráter humano".

Joaci, por outro lado, além de lutar como um leão, com todas as suas forças por uma melhor educação no Brasil, vive a farejar mundo à fora e aqui dentro, quem sente o mesmo e faz alguma coisa pela educação. Deve ter sido aí a lembrança para a dedicatória. Foi aí também que se fez merecedor do meu agradecimento a esse gesto generoso e pelo seu empenho obstinado à uma melhor educação neste País, onde se trilha os piores caminhos para que professores e alunos possam ensinar, beber conhecimentos e civilidade. Joaci não vai parar por aí.

Talento, conhecimento e perseverança não lhe faltam. Falta apenas, um farejar mais atento para encontrar o homem certo para a missão certa. 

Mais um abraço agradecido do amigo e admirador do seu talento e da sua luta pela educação.

*Oscar Santana 

Cineasta

Safra 1959.


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