Há fadiga de material dos governos petistas na Bahia?

Por Rodrigo Daniel Silva*


Tribuna da Bahia, Salvador
06/12/2021 22:32

   

A resposta para a pergunta do título é: sim. Mas essa fadiga de material levará inevitavelmente à derrota do PT na disputa ao governo da Bahia em 2022? Não. É natural que, após quase 16 anos no poder, haja um desgaste de um grupo político, mas o tamanho da fadiga dos governos petistas hoje não é suficiente para as forças de oposição acreditarem que sairão vitoriosas das urnas nas eleições do próximo ano.

O PT – partido que pôs fim a falsa ideia disseminada na Bahia de que as esquerdas não sabiam governar depois das malsucedidas gestões de Waldir Pires e Lídice da Mata – chegará em 2022 para brigar pelo quinto mandato no estado com chances reais de vitória. Isto porque o governador Rui Costa faz uma administração aprovada por 66,5% dos baianos, sendo que 52% consideram boa ou ótima, segundo o instituto Paraná Pesquisas. Outra sondagem de opinião feita pela consultoria Atlas mostrou que Rui supera até mesmo o ex-presidente Lula e é o ator político mais popular da Bahia.

Diferentemente de Lula, que terá que dar explicações sobre o arruinado governo Dilma Rousseff, Jaques Wagner não precisará na campanha responder ao fracasso do seu sucessor. Pelo contrário, o senador petista tentará surfar na bem avaliada gestão de Rui Costa. Semana passada, inclusive, fez questão de dizer que ele integra o “grupo Correria”, como se autorrotulou o governador baiano. “O grupo é Correria porque a gente trabalha em conjunto e chega lá”, disse Wagner.

A estratégia eleitoral de ACM Neto – principal adversário do senador petista – reforça que não há uma fadiga suficiente dos governos petistas para, por si só, haver uma vitória da oposição no próximo ano. Neto tem reconhecido que houve, em quase duas décadas de gestões do PT, avanços na Bahia. Para conquistar o coração do eleitorado, o ex-prefeito, entretanto, tem dito que ele tem capacidade para entregar muito mais à população. “A Bahia pode mais”, diz seu slogan de pré-campanha.

Neto parece, na verdade, apostar no desgaste da imagem de Wagner, ao dizer que o seu adversário é um “representante do passado” e está sem “empolgação” para ser governador novamente. Antes de decidir não ser candidato ao governo naquela eleição de 2018, ACM Neto argumentou que Rui Costa era bem avaliado porque “surfava numa onda sozinho”. “Eu, como prefeito, não posso ir para um enfrentamento, dizer as coisas que tem de ser ditas e que serão ditas no momento certo. Se eu decidir deixar a prefeitura, aí livre da minha função institucional e do cargo que me limita, farei um trabalho de oposição”, disse ele, na época.

Quase um ano depois de deixar a prefeitura de Salvador, Neto tem feito oposição ao governo petista nos quatro cantos da Bahia, e tem tido êxito ao conseguir pautar os temas da Educação e Segurança Pública como assuntos da esfera pública. Mas não conseguiu, até agora, degradar a imagem das administrações do PT a tal ponto de se dizer que a sua vitória é garantida.  

*Rodrigo Daniel Silva é repórter da Tribuna e escreve neste espaço quinzenalmente às terças

Compartilhe       

 





 

Mais de Rodrigo Daniel