Ponto de Vista: Elmano Silveira Castro: um grande brasileiro

Por Joaci Góes


Tribuna da Bahia, Salvador
20/10/2021 23:08

   

Para as queridas amigas Ivany, Norma e Sulamita Castro! 

Hoje, quando a Tribuna da Bahia completa 52 anos de circulação ininterrupta, a imprensa livre da Boa Terra se rejubila na evocação da singular personalidade do seu fundador, Elmano Silveira Castro, um dos maiores nomes da imprensa baiana de todos os tempos, apesar de sua brevidade existencial. Nascido em Caetité, a 02/5/1926, ele nos deixou a 29/4/1975, três dias antes de completar 49 anos.  

Tão grandes quanto a prodigiosa inteligência de Elmano eram o seu desassombro, visão e determinação empreendedora, para quem as dificuldades operavam como estímulo adicional para percorrer trilhas ignotas, como se fora um discípulo intuitivo do vate americano Robert Frost que aconselhava a escolha de caminhos menos batidos por oferecerem, não obstante os riscos, maiores possibilidades de venturas e insuspeitadas descobertas, em seu famoso poema The Road Less Travelled. 

Ao perceber o ambiente morno da mídia baiana, contida pelos temores da censura dominante no Regime Militar, então vigente, Elmano anunciou o impensável: a criação simultânea de um canal de TV, a Aratu, e a fundação de um jornal diário, impresso em offset, com a técnica mais avançada e pioneira no País. De fato, vencendo o ceticismo de muitos, a TB veio a lume no dia 21/10/1969, com uma equipe de jovens e brilhantes jornalistas, escolhidos e treinados pelo talentoso Quintino de Carvalho, primeiro redator chefe, que viria nos deixar muito precocemente, vítima de um câncer fulminante, sendo, ao longo dos anos, substituído por gente do padrão de Cid Teixeira, Jairo Simões, João Ubaldo Ribeiro, Raimundo Lima e Sérgio Gomes, o mais jovem redator chefe da imprensa nacional, em todos os tempos. 

Para os que supunham que a TB, propriedade de empresários, seria dócil à vontade dos poderosos de plantão, o jornal fascinou desde os primeiros momentos, não apenas por sua moderna roupagem tecnológica e visual, mas, sobretudo, pela serenidade da firmeza com que exercia o seu incomparável papel de retransmissor veraz da voz das ruas, silenciada por sua histórica desvalia. É verdade que a imersão total de Elmano na condução do Jornal, a ponto de ceder sua participação na lucrativa TV para custear sua onerosa implantação, cobrou-lhe pesado tributo, resultante em infarto que se não o matou, num primeiro momento, comprometeu-lhe, irremediavelmente, a saúde.  

Terceiro de cinco irmãos, três varões e duas mulheres (Humberto, Elmano, Ernane, Norma e Sulamita), o adolescente Elmano já dava sinais da forte personalidade que comandaria suas ações nas diferentes e desafiadoras iniciativas que empreenderia vida afora, cumprindo o que prometera a sua mãe, precocemente viúva, dedicada ao trabalho de costurar para assegurar a manutenção e exemplar educação de berço e intelectual a uma prole que pelo lado paterno descendia do mesmo tronco - Major José Antônio da Silva Castro, o Periquitão das lutas pela Independência, na Bahia -  que legou à humanidade o maior poeta de todos os tempos, Antônio Frederico de CASTRO ALVES.   

Do seu casamento com Maria Berenice Magalhães, Elmano deixou seis filhos: Luciano, Elizabeth, Maria de Fátima, Elmano Júnior, Paulo e Carlos que desapareceu no verdor dos vinte anos. 

Pelo andar da carruagem, a Tribuna da Bahia, o segundo mais longevo veículo da imprensa baiana, ora sob a batuta do trio Walter Pinheiro, o decano Paulo Roberto Sampaio e Marcelo Sacramento, exibe musculatura de quem ainda vai longe em sua vigilante caminhada em parceria com seus leitores. 

Penso que o nome de Elmano Silveira Castro constitui tema do maior interesse para a agenda da ABI, sob a regência do meu conterrâneo de Ipirá, Ernesto Marques. 

Vida longa para a TB! 

 

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