A Espanha e a Catalunha

Joaci Góes


Tribuna da Bahia, Salvador
14/10/2019 22:52

   

Aos queridos netos Maria Eduarda e Daniel que desejam a continuidade de uma Espanha unida, que adotaram como sua segunda Pátria!

A Espanha é uma das mais sólidas democracias existentes, enriquecida com uma diversidade cultural que fascina o Mundo, de que são prova as crescentes ondas de turistas que a visitam a cada ano. Nela, história, geografia, clima, arquitetura, música, pintura, dança, literatura e o caloroso acolhimento de sua população se mesclam para compor um todo homogêneo que a tornam cada vez mais o objeto do desejo dos que querem usufruir, plenamente, as múltiplas possibilidades da vida. A Espanha, somada a Portugal para compor a Península Ibérica, é cada vez mais reconhecida como o padrão de desenvolvimento ideal, em razão do seu mais do que necessário conforto fundamental poder ser distribuído por todos os sete bilhões de seres humanos, sem o comprometimento da higidez ambiental do Planeta, contrariamente ao que ocorreria se essa distribuição fosse realizada, por exemplo, a partir do padrão de vida de norte-americanos ou alemães. O domínio que exerce no mais popular dos esportes, o futebol, encanta, também, os segmentos mais pobres de todos os países, com as marcantes atuações do Real Madri e do Barcelona.

É natural, portanto, que a controvertida questão em torno da propalada independência da Catalunha seja cada vez menos um problema nacional, espanhol, para se converter em tema de interesse internacional, em geral, e europeu, em particular. Na hipótese, aparentemente impossível, de ser alcançada a independência da Catalunha, estima-se que o movimento independentista que dorme em banho-maria em praticamente todas as nações europeias, ganharia força, podendo resultar na fragmentação do pujante Continente em centenas de nações entre pequena e nenhuma expressão.

A verdade é que cada dia mais se evidencia a fragilidade dos argumentos dos que defendem a separação, como os que se seguem, amparados em elaborações inconsistentes, distribuídas como fake news para ilaquear a boa-fé da maioria ingênua das populações dos quatro cantos da terra: 

1- A Espanha rouba a Catalunha;

2- A Espanha não deixa a Catalunha votar as grandes questões;

3- A Espanha não deixa a Catalunha votar a autodeterminação; 

4- A Constituição espanhola hostiliza a Catalunha;

5- A independência da Catalunha não contraria a União Europeia; 

6- A ONU reconhece o direito dos povos à autodeterminação;

7- À Catalunha é negado o direito de governar-se;

8- A Catalunha independente será superavitária; 

9-          A Catalunha já é uma nação;

10- A Espanha oprime a Catalunha desde 1714;

11- A autonomia da língua catalã atesta sua independência; 

12- A maioria dos catalães quer a independência;

13- Na Espanha não há liberdade de expressão;

14- A democracia espanhola é capenga;

15- Na Espanha não se respeitam os direitos civis;

16- Cresce o número de políticos espanhóis que busca exílio;

17- É precária a garantia dos direitos na Espanha;

18- Na Espanha ainda vigoram instituições medievais, de        feitio inquisitorial;

19- O Ministério Público Espanhol é de intolerante extrema direita;

20- O movimento independentista catalão é pacífico;

21- Os catalães tinham direito a votar no referendo de independência convocado pela Generalitat, e o Estado espanhol atuou de forma antidemocrática para impedi-lo;

22- A polícia espanhola usou da força para impedir os catalães de votar, pacificamente;

23- A violência policial espanhola produziu mais de mil feridos;

24- Na Espanha não há separação de poderes;

25- A violência policial no movimento do 1° de outubro ficou impune;

26- O referendo de 1° de outubro gestou um mandato democrático pela independência da Catalunha;

27- Pessoas foram presas, só por terem colocado urnas para a população votar;

28- Ninguém pode ser preso por ter sido eleito, democraticamente;

29- Os independentistas presos são presos políticos;

30- Os independentistas presos não podem ser julgados pelo cometimento de delitos próprios dos militares;

31- O Supremo Tribunal Espanhol tem recusado observadores internacionais, o que prova a falta de transparência dos julgamentos;

32- Sem a independência da Catalunha, a língua catalã desaparecerá;

33-          O referendo é um direito dos catalães que o Estado      Espanhol tenta negar; 

E por aí segue a propaganda independentista, carregada de má-fé. A fácil negação de cada um desses argumentos, tarefa a que o Governo Espanhol ora se dedica, com a indispensável participação de sua rede diplomática, mundo afora, é tarefa que transborda os limites de um artigo de jornal. 

Ontem, porém, dia 14/10, como era esperado, o Tribunal Supremo da Espanha condenou nove dos 12 líderes separatistas, que foram a julgamento, a penas que variaram de nove a treze anos de prisão.

Vale lembrar a lição de Ulysses Guimarães, pai da Constituição Cidadã Brasileira: “A Constituição, certamente, não é perfeita. Ela própria o confessa, ao admitir a sua reforma. Discordar dela, sim! Divergir, sim! Descumpri-la, jamais! Afrontá-la, nunca. A fidelidade à Constituição é a sobrevivência da Democracia”.

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