Luiz Holanda

A primavera dos sonhos


Tribuna da Bahia, Salvador
21/05/2019 07:53

   

Na vida de toda menina, os 15 anos marcam o início de uma nova era. Celebrá-los é uma tradição entre nós, seguindo o costume que começou com os astecas, no México, para marcar a passagem dos “quinceañera”, como é conhecido nos países hispânicos. A data registra a mudança da menina que se torna moça.

Na Europa, as famílias nobres celebravam o acontecimento com uma grande festa: “O Baile das Debutantes”, sendo que a palavra debutante tem origem na língua francesa, na qual “Debut” significa estreia ou início. Para receber os convidados, as debutantes trajavam elegantes vestidos, alguns com detalhes infantis. Depois da meia noite trocavam de vestido para dançar a valsa com os pais. Para a sociedade da época, o importante não era o romantismo da celebração, mas a aliança entre a nobreza.

As danças durante a festa variavam de acordo com os costumes locais, com exceção da valsa, que se tornou a dança oficial do evento. Essa tradição de apresentar a filha à sociedade se espalhou por toda a Europa, expandindo-se para os demais países, inclusive para o Brasil.

Esse costume durou até os anos 80, quando as aniversariantes passaram a preferir outras comemorações e outros presentes, como viagens e intercâmbios culturais. Mesmo assim, o sonho de debutar permaneceu até hoje, sendo o evento personalizado e marcado por fértil imaginação e grande estilo, com destaque para as origens da debutante, a tradição de sua família e o cumprimento de todas as formalidades e ritos que o evento exige.

O de Maria Jatahy não podia ser diferente. A data foi 18 de maio, o mês no qual várias espécies de flores desabrocham. Seguindo a tradição, o “debut” foi um dos eventos mais festejados da Bahia. Prevaleceram a elegância e o bom gosto na organização da festa, com destaque para a aniversariante, que recebia os convidados com a graça e os encantos da idade dos sonhos. Com um adeus à infância e um aceno ao começo da mocidade, Maria abriu-se em sorrisos para festejar um tempo repleto de sonhos e de tudo o que de bom aconteceu em suas quinze primaveras.

Seus pais, o desembargador Jatahy Junior, e sua mãe, a elegante Silvia Henriqueta Mendes Jatahy, proporcionaram-lhe a festa das mil e uma noites. Receberam os convidados juntamente com Maria, que, graciosa, tirava fotos como recordação. Naquele momento tudo lhe parecia um conto de fadas. O entusiasmo de Jatahy era tanto que depois se ficou sabendo que até aula de dança ele teve para dançar a valsa com a filha.

Os 15 anos de uma menina são o início de uma história escrita pelo Criador.  A de Maria começa agora, pois sua nova vida deverá lhe proporcionar as oportunidades de escolher o que deseja ser no futuro. Criada com muito amor, esmero, fina educação e habilidade no trato social, é bem possível que siga a profissão dos seus ancestrais, cumprindo a tradição já consolidada na família, tendo como exemplo o próprio pai, que a enche de orgulho e admiração.

Agora Maria rompe a barreira dos quinze anos para lançar-se - alegre e exuberante-, em gloriosos voos sobre os telhados do mundo. Sua alegria ao brindar o futuro se refletia na própria festa, com certeza a única que ela jamais esquecerá.  Realmente, a celebração foi um acontecimento deslumbrante e clássico, rico em detalhes e romantismo.

Foi, com certeza, um instante de brilho em uma contextura projetada com esmero por Silvia e Jatahy para celebrar os anos doirados de sua filha Maria, que jamais esquecerá essa primavera, pois, como disse Verlaine, “na primavera o ar é puro, tão puro que as rosas nascentes, que despertam o amor, possuem aromas quase inocentes”.

Luiz Holanda é advogado e professor universitário.


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