“Nem horror nem terror”: Dória, de Pernambuco para o mundo

Por Vitor Hugo Soares*


Tribuna da Bahia, Salvador
27/08/2021 22:58

   

“Pernambuco falando para o mundo”, proclama o locutor da Radio Jornal do Comércio, de Recife, no começo de afiada e desafiadora entrevista do governador de São Paulo, João Dória Jr (PSDB), sobre política nacional e o papel estratégico do Nordeste, nas eleições presidenciais do ano que vem. O tucano distribui bicadas sutis e ferinas, às vezes: ora dirigidas ao atual ocupante do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro, à direita, ora ao ex Luiz Inácio Lula da Silva, à esquerda. “Nem horror nem terror”,  sintetiza, às vésperas do senador Tasso Jereissati – seu companheiro de partido – receber Lula, em Fortaleza, no começo desta semana. Dória fala ao programa “Passando a Limpo&rdq uo;, cuja voz e carisma do apresentador Geraldo Freire alcançam capitais, cidades de porte médio e populações do chamado “Nordeste mais profundo”, onde candidatos começam a jogar seus anzóis para fisgar votos em 2022.

Em Salvador, na madrugada, escuto a reapresentação da conversa do tucano paulista, da chamada Terceira Via, falando do Palácio dos Bandeirantes – com recursos de áudio e imagem entre o entrevistado e seus bem informados entrevistadores – em Recife. O âncora fala sobre a constante presença de Lula, Ciro e Bolsonaro (que ainda na quinta-feira falou com Geraldo na JC) no Nordeste. Quando da entrevista de Dória, por exemplo, Lula andava na beira do Capibaribe, em conversas com o prefeito João Campos (PSB), antes mesmo de se reunir com dirigentes pernambucanos do PT. No começo desta semana, o petista confabulava com Jereissati (PSDB), no Ceará. Na quarta-feira desembarcava em Salvador, tendo ao seu lado o senador Otto Alencar (PSD), um dos astros da CPI da Cov id 19. Na cola também o “companheiro governador,” Rui Costa e o amigo senador, Jaques Wagner, que amola as facas para encarar o osso duro de roer ACM Neto – presidente nacional do DEM e ex-prefeito da capital baiana – na sucessão estadual que se aproxima. E estamos de volta a Recife.

De posse dos dados das mais recentes pesquisas, Geraldo Freire provoca Dória logo no começo do “Passando a Limpo”: “O senhor é um gestor reconhecido, com papel destacado no combate à pandemia não só em seu estado, mas também na vacinação da população em todo País, e tem todos os atributos e direito de postular a presidência da República, mas não consegue passar dos 5% da aprovação popular, e daí para baixo. "Será – como dizem seus críticos – porque o senhor é apressado demais, mal é eleito para um cargo já está pensando no próximo?” pergunta o apresentador. Outro jornalista completa: ”O senhor segue desconhecido no Norde ste, está mesmo disposto a viajar para caçar voto no chamado Brasil profundo?”

O tucano diz: ”Calma, é preciso ter calma. O melhor portifólio de um candidato é a sua gestão, e de minha parte a principal tarefa é a gestão em meu estado. Além de contribuir para o país sair desta crise terrível da pandemia, que acredito acontecerá até outubro. “Depois poderemos nos dedicar à campanha e já estou acostumado a começar por baixo nas pesquisas. Mas digo desde já: Nem horror nem terror”, referindo-se à polarização entre o mandatário da vez e o ex.  “Quanto ao Nordeste, lembro que sou filho de baiano (o ex-deputado democrata cristão, João Dória, cassado e exilado pela ditadura, leal escudeiro de João Goulart (Jango), mesmo nos anos mais duros de desterro.) “Portanto, metade de meu sangue é de baiano, de nordestino”, destacou. O resto a ver.

*Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br


Compartilhe       

 





 

Mais de Vitor Hugo Soares