O papel da Universidade Moderna, 7 - A UFBA e o Saneamento Básico, 2

Por Joaci Góes


Tribuna da Bahia, Salvador
24/03/2021 21:55

   

Ao velho e bom amigo, Milton Cedraz, grande conhecedor da realidade baiana!

No artigo anterior, falamos sobre o que a UFBA poderia fazer pelo desenvolvimento do Semiárido. Neste, falaremos sobre saneamento básico de qualidade, que está para o bem-estar e a saúde física das pessoas, como a educação para a competência, tema que abordamos no livro As sete pragas do Brasil Moderno.

A Organização Mundial de Saúde aponta o saneamento básico como um dos principais fatores da saúde dos povos. Milhões de pessoas morrem,rotineiramente, em consequência da precariedade da infraestrutura sanitária. Basta ver que 88% das mortes por diarreia decorrem de más condições sanitárias. É a segunda maior causa da morte de crianças, no mundo.

Dois terços da população baiana e nordestina não dispõem de saneamento básico!

Nos países de clima tropical, as doenças de transmissão feco-oralse multiplicam durante as chuvas, como durante osestios, como a cólera, giardíase, febre tifoide, infecção por shigella, e outras. Entre nós, deficiências no saneamento básico respondem por mais de 80% dessas doenças. Com uma fração dos recursos que despendemos para tratá-las, teríamos uma rede de coleta e tratamento de esgotos que as evitaria.

A pesquisadora Denise Kronemberger, do Instituto Trata Brasil,realizou um estudo para estabelecer a relação entre essas doenças e nosso sistema sanitário, tomando como referência os 100 mais populosos municípios brasileiros. Os resultados foram lineares entre infraestrutura sanitária e o número de internamentos por essas doenças. Enquanto não figurou um município, sequer, localizado no Nordeste ou no Norte, entre os vinte mais bem saneados, sete dos dez piores estão localizados nessas duas pobres regiões, inclusive o baiano Vitória da Conquista, cujo prefeito, Herzem Gusmão, recentemente tragado pela Covid 19, continuamos a prantear. Taubaté, em São Paulo, o mais bem saneado município brasileiro, apresentou gastos per capita, para tratar diarreia, 436 vezes menores do que Ananindeua, no Pará, município com a mais precária estrutura sanitária. Investimentos em saneamento básico são de incomparável retorno sanitário-financeiro.

A maioria da população brasileira, pouco educada, não valoriza investimentos em educação e saneamento básico, os mais importantes para suas vidas. Os políticos sabem que obra subterrânea não dá votos. 

A Oxfam, ong internacional, fundada em 1942, produziu um diagnóstico, a que titulou A distância que nos une, em que o Brasil aparece numa das últimas posições em matéria de igualdade interpessoal. Nesse estudo, a Oxfam constatou que enquanto no bairro de Higienópolis, em São Paulo, o mais bem saneado, sua população tem uma média de vida de 79 anos, em Tiradentes, bairro popular, essa média cai para 54 anos. Isso significa que a ausência de saneamento básico representa um genocídio a prestações maior do que o holocausto de Adolf Hitler. O relatório evidenciou, como previsto, aumento do antigo fosso entre a Região Nordeste e o Centro-Sul, a mais rica do País. As carências que nos flagelam e travam nosso desenvolvimento se exprimem no drama de abrigarmos: 1 - mais da metade dos analfabetos do País; 2 - metade das sub-habitações; 3 - metade dos que ganham cinquenta por cento ou menos do salário mínimo; 4 - o maior número per capita de chagásicos, tuberculosos, xistosomóticos e leprosos; 5 - um déficit calórico que responde pela formação de uma sub-raça de nanicos físico-mentais. 

É preciso dizer mais para concluir pelo tamanho da importância de a UFBA coordenar um programa de levantamento e difusão sistemática desses dados, além do aprimoramento das diferentes técnicas de implantação do saneamento, levando em conta a diversidade das condições autóctones, para conhecimento das autoridades municipais, estaduais e federais, com o propósito de elevar o padrão de bem-estar, produtividade e longevidade de dez milhões de baianos? Sem falar no caráter benfazejo de sua denúncia de que uma fração dos recursos brasileiros emprestados pelos governos petistas a sangrentas ditaduras bolivarianas, a fundo perdido, seria suficiente para elevar, em média, 25 anos a longevidade das populações baianas saneadas.


Compartilhe