Osvaldo Lyra

Rui peca ao não preparar sucessor


Tribuna da Bahia, Salvador
29/08/2019 23:13

   

Até mesmo para a articulação política do Palácio Thomé de Souza, o governador Rui Costa, do PT, erra ao não se debruçar sobre a definição da estratégia que será usada na próxima eleição em Salvador. Detentor de uma alta avaliação pessoal e do seu governo, o governador começa a ser questionado dentro e fora da sua base, sobre o “time” para iniciar os entendimentos e costuras, de olho na sucessão de 2020 e, por conseguinte, de 2022. 

Na visão dos apoiadores do prefeito ACM Neto, do DEM, a vantagem do provável candidato do grupo, Bruno Reis, é maior, sobretudo, por ele já estar se colocando como nome forte para a disputa, impulsionado pela visibilidade da vice-prefeitura e da musculatura da Secretaria de Obras do município. O que se comenta nos corredores do Thomé de Souza é que a meta é construir a unidade da base aliada, em torno do nome de Bruno, com a possibilidade real de atrair novos partidos para a aliança. “Ainda mais que do lado do governador faltam nomes. Tem uns no PT, no PCdoB, tem Isidório. Tem ainda o PSB, com a deputada Lidice da Mata e até mesmo o (Guilherme) Bellintani. Mas nenhum emplaca”, disse um observador da cena política, que transita com desenvoltura na prefeitura da capital baiana.

Na visão dessas pessoas, se o governador Rui Costa tivesse interessado mesmo em se movimentar assertivamente na política, deveria escolher agora, em 2020, o nome que irá se candidatar para sucedê-lo em 2022. Explico. A escolha do nome de sua preferência, Jerônimo Rodrigues ou Fábio Vilas-Boas, por exemplo, teria que ganhar visibilidade já na próxima eleição, sendo testado eleitoralmente, para, a partir dai, ser solidificado como nome para a sucessão no Palácio de Ondina. No entanto, o que se comenta nos hostes do PT e entre os seus aliados é que o cenário não é tão positivo para os dois possíveis candidatos. Sobretudo, por estarem à frente de pastas extremamente sensíveis e de difícil solução, tanto a saúde como a educação. 

O próprio governador Rui Costa tem evitado falar sobre a próxima sucessão municipal. Diz que só vai se pronunciar no próximo ano e que 2019 é um ano de trabalho, de pensar em projetos para o governo estadual. Recentemente, ele quebrou o silêncio e falou publicamente que o presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, era um bom nome para a disputa do Palácio Thomé de Souza. O PT, seu partido, se movimenta com todas as forças para lançar candidato próprio, sob o risco de ver sua bancada de vereadores praticamente sumir, caso não lance um nome competitivo na disputa. Até mesmo os dois candidatos ao comando do partido em Salvador brigam para estar à frente do processo sucessório que se avizinha. Ambos sabem do desejo da base e dos próprios vereadores de se verem representados na majoritária da capital baiana. Até porque, com o fim das coligações proporcionais, dificilmente o partido manterá a bancada de quarto vereadores, caso não tenha um candidato competitivo no próximo ano.

Mas, voltando à avaliação feita por uma figura de proa da prefeitura, ainda dá tempo de o governador Rui Costa se movimentar para testar um nome em 2020, de olho, na verdade, em 2022, caso não queira ver “o rolo compressor” que moverá ACM Neto na sucessão para o governo “devido à fadiga de material do PT e do seu grupo político”. A conferir.

*Osvaldo Lyra é editor de Política e escreve neste espaço às sextas-feiras.  


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