Uma conclusão, antes que vire galhofa

Paulo Roberto Sampaio


Tribuna da Bahia, Salvador
25/06/2019 08:05

   

Najila Trindade é seu nome. Não sei como classifica-la. Alguns a chamam de modelo. Como não conheço os trabalhos por ela realizados, não sei se seria justo com a as verdadeiras modelos incluí-la como tal. Não ousaria chamá-la de acompanhante. Fã, talvez. Quem sabe, uma ingênua mocinha que atravessou o Atlântico às custas do seu príncipe encantado para uma noite de amor com ele - e que deu errado.

Mas pelos sinuosos caminhos que seu caso com o atacante Neymar tem tomado desde o dia 17 de maio, quando surgiu na mídia toda chorosa, já era tempo de a Polícia chegar a alguma conclusão sobre este nebuloso dramalhão.

Perco meu tempo e o seu, caro leitor, pelo tom de deboche que o fato ganhou. Vídeos bem humorados circulam na net, campo propício para esse tipo de coisa, em síntese, já que eles se parecem, com um casal apaixonado, prestes a partir para o "vamos ver", quando o rapaz interrompe bruscamente o passo seguinte, para espanto da moça, e não foi para pegar um preservativo (causa narrada pela Najila como estopim de tudo), mas para pegar um longo formulário que submete a namorada com todo tipo de questionamento, desde a admissão de que o sexo é consensual, se aceita ou quer uns tapinhas, em que intensidade e por aí vai a brincadeira, até a moça quase que explodir, após assinar tudo dando seu de acordo e ele pede meia horinha mais para ir ao cartório reconhecer a firma e registrar o documento.

Evidente que estamos tratando de um assunto sério, que envolve um ídolo nacional e uma jovem que alega ter sido estuprada e agredida, mas até para que a sociedade não leve na galhofa e a moça não venha a comprometer a causa das mulheres contra qualquer tipo de violência, ainda mais doméstica ou praticada pelo parceiro, - e muitas mulheres já estão revoltadas com essas idas e vindas da Najila - seria da maior importância que ela apresentasse o Ipad e o celular onde estariam as tais imagens comprometedoras.

Até porque, difícil é admitir que ela tenha selecionado um minuto e meio de um flagrante tão escabroso, deixando vasar, e guardado com uma única cópia o resto da gravação, onde diz ter o desfecho do caso. E daí em diante alegar que Ipad e celular desapareceram, quando uma simples mensagem por e-mail anexando as benditas imagens, enviada para ela mesmo e mais uma ou duas pessoas de sua confiança bastaria para que ainda que tivesse o apartamento arrombado, como diz ter acontecido e a polícia não constata, os elementos estivessem à salvo e à mostra. 

Difícil é aceitar como veromissível toda essa história que em um mês já mobilizou quatro advogados, quatro versões distintas e nenhuma conclusão. Só para rememorar, tudo começou com o advogado José Edgard Bueno Filho, primeiro contratado e que queria sustentar apenas a tese de agressão, por ter sido a única que ele lhe relatara.

Passou em seguida pela advogada Yasmin Pastore Abdalla, que adotou como estratégia deixar que a imprensa explorasse o caso, sangrando o jogador e sua imagem pública. A coisa não evoluiu muito até que apareceu o advogado  Danilo Garcia de Andrade, aquele do cabelo cacheado, como se vivesse nos tempos da brilhantina, autor da cena mais patética até aqui dessa história, saindo da delegacia carregando Najila, como se a buscar de tudosensibilizar a opinião pública em apoio para a indefesa moça.

O teatro também não funcionou, talvez por já estar a opinião pública meio desconfiada.

Ainda assim, ele deu muitas entrevistas, ela também deu umas duas no período, mas ele acabou renunciando a causa quando cobrada a mostrar as provas gravadas, prometidas pela sua cliente e que ele jurava ter, não foram apresentadas sob o singelo argumento de que elas simplesmente sumiram.

E por fim surgiu o advogado baiano Cosme Araújo Santos como novo patrono a propor um novo depoimento da moça, mas sem falar da misteriosa gravação.

Para o bem de todos e aí inclua-se de uma polícia já tão sobrecarregada de casos realmente graves a apurar e de uma Justiça que vê processos apodrecerem nas prateleiras ( hoje apodrecem no computador, pois já são na maioria digitalizados), seria oportuno termos um desfecho o mais breve possível para o caso.

A menos que pretendamos continuar apenas nos deliciando com as galhofas que circulam na internet sem saber até onde cada personagem dessa história está falando a verdade.

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