Será verdade ou ando delirando por conta dessa pandemia...

Por Paulo Roberto Sampaio


Tribuna da Bahia, Salvador
30/08/2021 22:23

   

Estou pasmo. Esse negócio de 'sextou' acho que está mexendo com a cabeça das pessoas. Vou dividir em três partes por serem fatos tão absurdos que merecem capítulos a parte.

Fui almoçar na sexta com um grupo de amigos para celebrar o aniversário dos queridos, empresário Joaci Góes e Desembargador Valtércio Oliveira, e quando me preparava para sair do restaurante fui abordado por um segurança do shopping (Barra) para me informar que tinham batido em meu carro no estacionamento e a pessoa estava lá, numa sala de ocorrências, me aguardando. Antes fui convidado a ir à garagem para ver o estrago.

Fui, vi e não acreditei que numa manobra rotineira de estacionamento alguém pudesse acertar o pára-choque do carro ao lado. Justo meu vermelhinho, tirando sua originalidade. Mas era só o começo da história.

Na  tal sala de registro de ocorrências a senhora que batera em meu carro já me acusava de parar de forma avançada da faixa, sem levar em conta o tamanho do meu carro e que para evitar colisões do tipo os carros têm retrovisores laterais e o dela não é diferente. Meros detalhes, ante tudo que se sucedeu.

Enquanto eu apenas perguntava a ela, educadamente, se queria indicar uma oficina para que providenciasse o orçamento, fui surpreendido, sem que mais nada lhe dissesse, com perguntas do tipo: quantos anos o senhor tem?, numa clara alusão ao que imagino, “diagnosticou” ela, ( que se identificou como psiquiatra) como  indicativo de senilidade de minha parte e seguiu com as perguntas: o senhor tem filhos? moram aqui? tem mulher? E sem nenhuma razão plausível, disparou: “prefiro falar com  um deles”.

Bizarro, não... Mas respondi com toda paciência e educação o despropositado interrogatório, isentando minha família de se envolver na questão, mas ela não se conteve, decidindo então me “premiar” com o discriminatório título de “coisa de novo rico”, como se qualquer dessas situações tivesse a ver com o fato dela abalroar meu carro num estacionamento, onde eu já havia parado umas duas horas antes e outros carros, presumo, parado e saído ao lado, situação comum em vagas rotativas, sem nenhuma anormalidade.

Confesso que o dano material foi ficando para trás e fiquei mesmo chocado pela forma que me tratou, pelo atestado público que resolveu me conceder de senil, diante de funcionários do shopping, ainda mais ela que, como disse, se identificou como médica psiquiatra.

É, vou acabar concluindo que isso é coisa da tal 'sextou'...

Bom, mas vamos ao episódio 2, outra “sextou”.

O senhor Luis Inácio Lula da Silva resolve nos brindar com uma visita nessa Bahia de todos os santos e credos, de uma diversidade múltipla e de bizarrices também. Justo na bendita sexta-feira. E em lugar de mostrar seu amadurecimento após os quase 600 dias de cadeia puxados por conta de trapalhadas em que se meteu ou permitiu que acontecessem sob suas barbas, me aparece falando em regular ou regulamentar, como queiram, a imprensa, numa clara atitude de censura aos meios de comunicação, desviando na sequência de sua infeliz fala para a internet.

Ora senhor Lula, se é para vir com idéias antidemocráticas sob os argumentos mais estapafúrdios possíveis, melhor continuar onde está e até evitar colocar a Bahia num próximo roteiro de viagens. Aqui o povo sabe lutar contra abusos e pela liberdade, simbolizada no 2 de Julho, e não vai bater palmas para discursos dessa natureza.

Por fim, vamos ao episódio 3, de novo na bendita sexta.

Esse não deveria surpreender pela impressionante capacidade do autor de gerar idéias tão absurdas, mas acho que o presidente Bolsonaro se superou e foi um pouco longe demais. Sugeriu o povo a trocar o feijão pelo fuzil.

Não dá para acreditar que quando mais se fala em terreno sendo preparado para um golpe de estado e com o povo com comida regrada à mesa, com a inflação ganhando força, ele surja com essa proposta.

Difícil crer que um Presidente da República brinde o mundo com tamanho absurdo quando se luta pela vida, nessa guerra diária contra o coronavírus, com o país mergulhado na mais grave crise hídrica em um século, pelo controle da inflação e por comida na mesa, em especial do pobre.

Enfim, 'sextou' mesmo. Agora é torcer para que a próxima seja mais amena.

*Paulo Roberto Sampaio é diretor de Redação da Tribuna e escreve neste espaço quinzenalmente às terças-feiras.


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