Paulo Roberto Sampaio

O time da oposição foi mal escalado


Tribuna da Bahia, Salvador
28/08/2018 14:58

   

Há uma frase no futebol que sempre me intrigou: técnico não ganha jogo, quem ganha é jogador. Por muitos anos concordei com ela, mas desde que Tite substituiu Dunga e a seleção brasileira virou outro time, (mesmo perdendo a Copa) passei a reformular meus conceitos sobre essa máxima do futebol. E agora Carpegiani só veio a reafirmar isso, fazendo de um mambembe time do Vitória uma equipe guerreira e que não deixou o Atlético MG jogar no Barradão, vencendo com méritos e deixando a zona do rebaixamento.

Mas o assunto aqui é política e não existe exatamente a figura do técnico na armação de uma chapa, mas o somatório das forças que compõem uma aliança é determinante para decidir a composição de uma chapa e no caso de uma eleição como a que se avizinha no Estado, dos escolhidos para o governo, para vice e para as duas vagas do senado. E me perdoem os oposicionistas, mas alguém escalou mal esse time.

Os primeiros números da pesquisa eleitoral do Ibope, única até aqui com credibilidade para apontar as tendências do eleitorado, estão a mostrar que o candidato oposicionista ainda engatinha com 8 pontos, tendo como vice uma dedicada médica, porém mais desconhecida ainda do que o cabeça de chapa. No linguajar popularesco, ela "não infloi nem contriboi".

Zé Ronaldo foi por quatro vezes um bom gestor em Feira de Santana e tem, sem a menor dúvida, força e prestígio na região, condições que vão rareando à medida que o horizonte vai se ampliando, e aí a coisa se complica, ou melhor, poderia ser atenuada se a armação da chapa oposicionista seguisse outro caminho.

Quando a pesquisa se volta para o senado, o deputado Irmão Lázaro dispara e vai a 23% da preferência, disputando a primeira das duas vagas com o petista e ex-governador da Bahia por duas gestões, Jaques Wagner. Sinal de que tem e teria musculatura suficiente para adensar a força política da chapa oposicionista, mas acabou escalado na posição errada.

Não sei exatamente de quem foi o erro, se do próprio Irmão Lázaro, que não se empolgou com a aventura, se do seu partido, se da coligação, do prefeito de Salvador, ACM Neto, ou do candidato Zé Ronaldo, mas uma coisa é certa: ele foi mal escalado e mesmo com o argumento de que indicado para a disputa de uma cadeira ao senado teria enormes chances de bater o número dois da aliança governista, o deputado estadual Ângelo Coronel, a coroa maior em disputa era e é o governo do Estado e abrir mão desse ideal por uma vaga ao senado não me parece a postura mais inteligente.

Como em política as versões nem sempre são verdadeiras e a realidade caminha, muitas vezes, bem distante do que chega às ruas, será difícil entender esta composição, ainda mais em tempos modernos, com tantos instrumentos para aferir a preferência do eleitorado. 

Se tivessem encomendado uma pesquisa, mesmo que uma dessas que só servem para uso interno, para aferir o nível de conhecimento e popularidade dos candidatos que tinham disponível sobre a mesa, os responsáveis pela chapa oposicionista certamente concluiriam que ela deveria ser outra. Se não encomendaram, alguém errou. 

Agora se encomendando ou não a tal pesquisa, partiram para a premissa de que com Irmão Lázaro candidato ao senado o grupo poderia, não só abocanhar uma cadeira, mas derrotar Wagner da condição de mais votado para o senado, perderam uma ótima oportunidade para embolar a disputa pelo governo. 

Não que ela já possa ser considerada decidida, mas a frente aberta por Rui e a força do seu grupo tendem a manter essa dianteira já registrada até aqui, com naturais variações, fruto até mesmo do horário eleitoral.

Bom, mas o jogo ainda está no primeiro tempo e vamos esperar os próximos 15 dias, ao menos.  

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