Paulo Roberto Sampaio

O que pensa Eduardo Bolsonaro


Tribuna da Bahia, Salvador
13/11/2018 11:18

   

O deputado federal e líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro, de 34 anos, caminha para se tornar uma das vozes mais presentes e polêmicas na Câmara. Reeleito com 1,8 milhão de votos em São Paulo, carrega no currículo alguns títulos ostentados por poucos naquela Casa.  

É policial federal, advogado, tem pós-gradução em economia liberal na escola austríaca pelo instituto Misses e o básico de espanhol e inglês. Gosta de geopolítica, direito internacional e estudou em Coimbra, além de ter feito intercâmbio nos Estados Unidos.

Mas é o que pensa esse integrante do clã que tende a fazer barulho. Ele defende a tipificação como terrorismo dos atos do MST. "Se fosse necessário prender 100 mil pessoas, qual o problema nisso?" – dispara ele.

Também quer criminalizar o comunismo no País e cita exemplos da prática pelo mundo como os casos da Polônia, da Ucrânia e da Indonésia.

Fiel a doutrina da direita, sonha em criar um Foro de São Paulo às avessas do criado por Lula e seus aliados de esquerda na América Latina e para isso se mostra aberto até ao diálogo com partidos salpicados de lama da corrupção como o PP, o MDB e PSDB.

Sobre a indicação do juiz Sergio Moro para o ministério da Justiça ele sai em defesa do algoz de Lula: “ Não vejo nenhuma perseguição ao PT. Ele condenou gente de todos os partidos. Nós não temos essa preocupação, pois eles sempre vão criticar. Moro virou símbolo de combate à corrupção”.

E sobre um possível choque de personalidades entre o pai e Moro, por este fazer sombra ao presidente, Eduardo descarta a possibilidade: “Ele (o pai) não se preocupa com vaidade. Se preocupa com o que é melhor para o Brasil. E o Moro tem, além do simbolismo, competência para pôr em prática o combate á corrupção, que é o que minha geração mais abomina. O Moro vai fechar a torneira da corrupção”.

Eduardo considera a oposição até saudável, mas diz que “o que não é saudável é você tentar a todo custo derrubar um governo só para que os seus correligionários cheguem ao poder. Quantos impeachments o PT propôs contra FHC? Pelo menos uma dúzia. Com ou sem fundamento, vai ser a conduta deles”.

Ele se mostra simpático a uma aproximação com o MDB, mas desde que não passe pelo senador Renan Caalheiros na presidência do Congresso: “ O Renan é um pouco mais complicado. Ele segurou a redução da maioridade penal e é favorável ao desarmamento. São ideias frontalmente contrárias a nós”.

Sobre a criminalização do comunismo, ele é contundente: “É uma proposta que eu gostaria que fosse adiante, mas que depende de renovação do Congresso Nacional. É seguir o exemplo de países democráticos, como a Polônia, que já sofreu na pele o que é o comunismo. Se você for na Ucrânia também falar de comunismo, o pessoal vai ficar revoltado contigo. Outro países também proibiram, como a Indonésia”.

Sobre a política externa ele acha que vai carecer de mudanças, principalmente em posições chaves no seu corpo diplomático: “O que eu escuto falar é que o Itamaraty é um dos ministério onde mais está arraigada essa ideologia marxista. Tem um corpo técnico qualificado ali dentro. Mas o que não pode ter é o que nos Estados Unidos tem lá o que o Trump chama de deep state, pessoas do próprio governo sabotando as ideias do governo”.

Sobre a tipificação como terrorismo das ações do MST ele foi bem mais duro que Moro, sem discordar dele: “O Moro definiu bem. Primeiro o que são movimentos sociais e, depois, definiu o que são essas ações criminosas. O que ocorre hoje é que grupos como o MST por vezes utilizam o seu poder criminoso para invadir terras, incendiar tratores para obrigar o fazendeiro a vender suas terras a um preço abaixo do mercado. Eles impõem o terror para ganhar um benefício por outro lado. É isso que a gente visa combater. Isso aí é terrorismo. É a intenção de levar o terror para amedrontar as pessoas. Se fosse necessário prender 100 mil pessoas, qual o problema nisso?”.

Finalizando, Eduardo Bolsonaro enumera algumas medidas que o governo e o PSL não abrem mão para aprovar no Congresso: “ Desburocratização, reforma da Previdência, incentivos e garantias para o agronegócio, retaguarda jurídica para a polícia, revogação do Estatuto do Desarmamento e nova lei de controle sobre armas”.

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