Paulo Roberto Sampaio

Rui, o Nordeste e o desarmamento


Tribuna da Bahia, Salvador
15/01/2019 10:52

   

De um queridíssimo amigo recebi uma dessas mensagens que povoam hoje as redes sociais: "afrontando Bolsonaro e Sérgio Moro, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), se declara  novo “Presidente da República do Nordeste do Brasil”, e articula união de Nordeste Vermelho contra o crime". 


Num primeiro instante achei apenas despropositada a nota. Voltei no tempo e na história e me deparei com o ex-governador e liderança maior em todos os tempos deste estado e defensor ferrenho da região,  Antonio Carlos Magalhães.  


Fosse ele vivo e partisse dele a iniciativa de uma união dos estados do Nordeste contra o crime e estariam todos a aplaudir, não sem deixar escapar uma ponta de orgulho num sorriso de satisfação. A história serve pra isso!

Mas a história atual recomenda prudência ao governador Rui Costa. Filiado a um partido envolvido em tantas maracutaias e natural opositor do presidente da República,  deve ser prudente em cada ato. Elaborar uma carta do Nordeste pedindo uma ação mais contundente da União no combate ao crime organizado,  sugerindo até as medidas que pretende propor aos demais governadores da região, seria uma forma protocolar de cumprir o rito.


Sei que o próprio Rui e seus colegas governadores do Nordeste ficaram decepcionados com a demora no envio das tropas federais para o Ceará,  quando o Estado ardia em chamas e o Ministério da Justiça se debruçou candidamente sobre o pleito. Mas até para não dar margem a segundas interpretações,  Rui e seus colegas deveriam chamar o Planalto à responsabilidade. ACM marcou época sem carregar nas costas o fardo de um pesado PT e num clima menos bélico que o atual. Rui parece que não se deu conta disso, apesar das boas intenções nas ações.

 

E já que falamos em bélico,  aguardo ansioso o decreto flexibilizando a posse de armas. Acho uma medida bem vinda, desde que com suas devidas amarras.


A posse de arma no campo, na zona rural e até em sítios e chácaras no entorno das zonas urbanas - onde o organismo policial raramente aparece - me parece bem vinda. Serve para proteger a vida e a propriedade e os riscos a terceiros, num eventual confronto, são mínimos.


Mas nas cidades, seja em casa ou no comércio, me parece um risco muito grande, por mais que o cidadão passe por alguns critérios de avaliação até conseguir a posse. E para mim o risco maior está numa personagem que, ao menos entre nos, ainda é rara, graças a Deus: a bala perdida.


Imagine você caminhando numa calçada numa rua de comércio popular ou mesmo dentro de um carro e um, dois ou três bandidos resolvem assaltar uma loja. O dono consegue pegar a arma antes de tê-la tomada pelos bandidos - hipótese mais provável - e resolve enfrentá--los.  Olhe a cena de faroeste criada. Bala prá cá, bala pra lá e você,  inocente e indefeso, no meio dela.


Hoje, bom ou ruim, busca-se proteger a vida. Somos orientados até pelo organismo policial a não reagir, e isso, em parte, tem reduzido o número de tiroteios, restritos apenas aos confrontos polícia x bandidos, e esses sim, vira e mexe, com a fatídica bala perdida atingindo e matando inocentes. Agora imagine você armado em sua loja, podendo pegar uma arma na gaveta, vai entregar o fruto do seu suor à toa?


Torço para que as autoridades debruçadas sobre o tema ajam com extremo cuidado antes de definir as regras do rearmamento da população. Muitas vidas podem estar em risco.

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