Paulo Roberto Sampaio

É hora de Bolsonaro postar menos e trabalhar mais


Tribuna da Bahia, Salvador
12/03/2019 09:52

   

Alguém com efetiva força de convencimento junto ao presidente Jair Bolsonaro, precisa, urgentemente, levá-lo a refletir mais antes de falar ou postar nas redes sociais, deixando de lado as polêmicas e temas que possam render discussões desnecessárias, para o bem do Brasil. Ou os projetos de real interesse do país acabarão sucumbindo nesse bate boca virtual.

No Carnaval ele surfou em uma postagem absolutamente bizarra, desgastando sua imagem e a do país, internacionalmente. No rastro de uma dessas polêmicas ele acabou envolvendo nosso Carnaval, a maior festa popular do planeta, numa abordagem tosca de uma dupla de idiotas, desclassificados.

Pensou-se que por conta da repercussão negativa da postagem ele teria mais cuidado daqui para a frente e evitaria novas situações que o expusessem, o seu governo e o Brasil, mas ontem, sem ter o mínimo cuidado de certificar-se da veracidade do que lhe chegava às mãos, não hesitou em disparar  contra o jornal Estado de São Paulo e uma de suas jornalistas afirmando estar ela conspirando contra um de seus filhos e o próprio governo.

História construída por um site que em nenhum momento valeu-se da verdade e de critérios sérios para difundir a fantasiosa narrativa.

O presidente tem todo direito de se queixar da imprensa se algo vai em desalinho com a verdade ou o atinge de forma direta, mas fazer disso um lugar comum é algo desgastante e perigoso.

Aliados sensatos já demonstram inquietação com algumas postagens feitas por ele e que servem apenas para incendiar o ambiente político em Brasília. No Congresso, casa por onde caminham os projetos de interesse da Nação e em especial, engatinha a Reforma da Previdência, tudo é motivo para reflexão.

Um governo que se deixa levar por fofocas e intrigas bizarras, vindas de fontes desacreditadas, pode muito bem se deixar emprenhar por intrigas, palacianas ou não, trincando acordos e alianças por muito pouco.

Bolsonaro tem colecionado mais acertos do que erros até aqui, mas nem por isso pode dar espaço aos seus críticos e abrir margem aos que buscam qualquer deslize seu para classificá-lo como sem preparo para tão elevado cargo que ocupa, a ponto de sugerirem que o Brasil estaria muito mais bem servido com o general Mourão na cadeira de presidente.

O que pode ser apenas combustível de bate papo em mesa de bar ou roda de amigos pode ganhar corpo e ares de seriedade se o próprio Bolsonaro contribui para tal, o que não faz bem nem ao país nem a democracia. O general Mourão tem inequívocas qualidades e até aqui tem se mostrado mais sensato e ponderado em suas falas que o capitão Bolsonaro, mas isso não pode nem deve dar espaço a nada além de opiniões despretensiosas de mesa de bar.

Para tanto, o presidente precisa exercer com firmeza o comando de seu governo e não sucumbir a intervenções como a do seu guru, Olavo de Carvalho, que chegou a pedir numa postagem no Twitter que seus ex-alunos abandonassem o governo. A exortação é incabível, com  menos de 90 dias de gestão e sem que fatos justifiquem esse brado de abandonar o barco.

Evidente que por trás da estocada há uma briga de poder entre olavistas e a ala militar que também ocupa o Ministério da Educação. Uma briguinha que não condiz com o que o Brasil espera dos seus gestores, ainda mais em área tão sensível como a educação, onde 2,8 milhões de brasileiros de 4 a 17 anos ainda estão fora da escola.

Mestre na arte de se meter em encrencas, Bolsonaro cria crises que antes eram geradas pela oposição. Esta assiste, anestesiada, uma coletânea de tropeços, incrédula ou sem força para fazer melhor, enquanto o mercado navega de forma oscilante entre altos e baixos para desespero dos investidores.

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