Paulo Roberto Sampaio

As lições de Neto e de Rui


Tribuna da Bahia, Salvador
21/05/2019 09:17

   

Dois baianos protagonizaram na semana passada episódios importantes para o país, com frases ou exemplos, do que é governar um município, um estado ou uma nação. Em palestra em Oxford, o prefeito ACM Neto ironizou o polêmico texto compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro em grupos de WhatsApp, que afirma que “o Brasil, fora desses conchavos, é ingovernável”. “Não existe governo ingovernável”, disse o prefeito de Salvador, com a sabedoria de quem há 7 anos administra uma capital do porte de Salvador e mesmo não sendo aliado do governo do estado – nos primeiros dois anos Wagner e daí para cá, Rui - vem cumprindo o que dele se espera com uma boa gestão.

O outro exemplo é mais explícito ainda e vem do governador Rui Costa. Ante um Planalto que já mostrou ter a Bahia atravessada na garganta, - que o diga o vingativo corte de 30% de verbas para a UFBa patrocinado pelo MEC, mais tarde transformado em contingenciamento e estendido a todas as universidades federais do país para tentar camuflar a vendita - voou a Washington para buscar junto a grandes grupos americanos os investimentos que seu governo não teria como fazer só.

E a serenidade que estampava ontem no rosto era, não apenas a marca de um gestor que sabe das responsabilidades de seu cargo, mas de quem  busca soluções para os problemas do seu estado, mo 20º em arrecadação no país, em lugar de ficar se lamuriando.

Almocei com ele ontem. Encontrei um Rui muito seguro. A conversa foi uma espécie de balanço e prestação de contas de uma viagem exitosa. Ele sintetizou o que conseguiu em uma semana na China e nos Estados Unidos. Não trouxe nenhuma premiação na bagagem, nem precisou mudar o roteiro da viagem porque não foi fazer política.  Foi trabalhar pela Bahia. 

Da gigante chinesa Easteel obteve talvez o maior troféu. Um acordo de US$ 7 bilhões para um projeto de desenvolvimento integrado, que vai representar a geração de 30 mil empregos diretos na Bahia. "Vamos trabalhar de forma firme, dedicada e determinada para que esse projeto marque a história da economia baiana e das relações do Brasil com a China", disse Rui.

Antes, em Washington, onde iniciou sua maratona, assinou um memorando de   entendimentos com a Forever Oceans que pretende investir US$ 60 milhões na criação de peixes na costa de Ilhéus, num projeto ousado e pioneiro. A seguir esteve com representantes da Unigel e da General Electric (GE) em Nova York. 

Segunda maior petroquímica do país, a Unigel anunciou que vai investir US$ 90 milhões em uma unidade de produção de ácido sulfúrico no Polo Industrial de Camaçari. Isso enquanto a GE apresentava ao governador um projeto para fabricação de aerogeradores mais modernos, também no Polo de Camaçari.

Na segunda etapa da missão, Rui desembarcou em Pequim no domingo dia 12, e no mesmo dia conheceu a tecnologia empregada pela Face Plus Plus no reconhecimento facial. A empresa também revelou interesse em participar da licitação do Governo do Estado que visa à contratação do serviço para a área de segurança em 55 cidades baianas.

As boas notícias seguiram: a chinesa CGN Energy International Holdings investirá US$ 243 milhões em energia solar e eólica no estado, energia limpa, explorando o que a Bahia tem de sobra, vento e sol, compromisso firmado com o presidente da companhia, Zeng Qi Bo.

E para encerrar o périplo, a Build Your Dreams (BYD) confirmou a Rui que o projeto conceitual do Veículo Leve de Transporte (VLT) que ligará o Comércio, em Salvador, até a Ilha de São João, em Simões Filho, já foi concluído e que as obras serão iniciadas ainda esse ano. 

Se o presidente Bolsonaro, com apenas quatro meses e meio no cargo, acha mesmo o Brasil ingovernável, que tal um estágio por aqui? Pode lhe ser muito útil.

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