A crise não escolhe lado e atinge a todos

Paulo Roberto Sampaio


Tribuna da Bahia, Salvador
30/07/2019 10:42

   

A crise econômica que insiste em sufocar o crescimento do Brasil é, no mínimo, equânime. Ela atinge de norte a sul do país, de leste a oeste, não poupando estados ricos nem pobres. Recente avaliação do índice Itaú mostra isso, a ponto de incluir a Bahia como um dos estados mais sacrificados nessa marola econômica.

Isso, apesar da operosa gestão do governador Rui Costa e de todo esforço do prefeito ACM Neto, não conseguindo com toda sua luta, e sendo Salvador a potência que é, melhorar no conjunto os índices do Estado.

Do ponto de vista de avanços e grandes obras, a Bahia tem e muito do que se orgulhar. A capital ganhou o metrô, já um dos 3 maiores do país, o conjunto de avenidas que transformaram o traçado da cidade, o BRT chegando e o VLT a caminho. E no interior, obras como o novo aeroporto de Vitória da Conquista, feito em parceria estado-governo federal, quase uma dezena de policlínicas, espalhadas pelas diversas regiões, oferecendo uma saúde de altíssimo nível à população em termos de atendimento de alta complexidade, e agora o novo Teatro Candinha Doria, a abrigar a cultura de uma região que nos deu entre outros, o imortal Jorge Amado.

Mas obras apenas não bastam e o esforço pelo aquecimento da economia nacional tem de ser de todos. Louvo o encontro de governadores do Nordeste ontem aqui realizado, quando focam no crescimento da região e do país, e abomino quando desviam para as picuinhas políticas com o Palácio do Planalto, até porque os dois lados já devem ter se apercebido que as eleições passaram e agora é hora de trabalhar por este gigante Brasil.

Ainda mais quando nos deparamos com índices como os apontados ontem em editorial pelo jornal Estadão, refletindo a situação no país e em São Paulo. "A série histórica da Pesquisa Industrial Mensal, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o pico da produção da indústria de transformação do País foi atingido em março de 2011. Desse mês até fevereiro de 2016, quando a produção atingiu seu ponto mais baixo até então, a queda tinha sido de 23,2%".

Para em outro trecho, reconhecer e lamentar a dura realidade vivida por São Paulo, a maior economia do país, mas nem por isso imune a crise. "Estado mais desenvolvido do País e que responde pela maior fatia da produção industrial brasileira - mais de um terço do total -, São Paulo registra, neste ano, o maior número de indústrias fechadas em uma década. Em São Paulo, nos primeiros cinco meses do ano, 2.325 indústrias de transformação e extrativas fecharam suas portas".

E aponta outros dados significativos: "A crise da indústria antecede a que, provocada pelos desmandos econômico-financeiros do governo Dilma Rousseff, afetou toda a economia brasileira. Esta se tornou clara a partir do segundo semestre de 2014 e se estendeu até o fim de 2016. Entre 2014 e 2018, por exemplo, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encolheu 4,2%, a produção da indústria de transformação diminuiu 14,4%".

E arremata com um quadro pouco alentador e que serve para calar as aves agourentas que vivem a achar que tudo de ruim que acontece no país é mais grave na Bahia: " Ainda não há sinais claros de melhora da atividade industrial em São Paulo. Dados recentes da atividade econômica do Estado de São Paulo aferidos pela Fundação Seade mostram que a produção da indústria paulista aumentou 0,9% em abril, na comparação com março, mas registrou queda de 2,0% na comparação com a de um ano antes. No acumulado de 12 meses até abril, a redução foi de 1,2%. O drama social inevitavelmente acompanha a estagnação econômica".

É hora, portanto, de os verdadeiros brasileiros darem às mãos com o pensamento voltado para a retomada do crescimento no país, abandonando bandeiras partidárias e votando as reformas que o país tanto precisa para avançar.  

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