O silêncio ensurdecedor de Mourão

Paulo Roberto Sampaio


Tribuna da Bahia, Salvador
13/08/2019 09:40

   

De repente, uma das vozes mais ativas da República se calou. Entrou na muda, diria um bom sertanejo quando o papagaio falador ficava meio emburrado ou o canário cantador privava a todos de seu belo canto. Estou falando do vice-presidente Hamilton Mourão.

Eloquente nos primeiros 4 meses de governo, a ponto de se tornar quase um contraponto ao presidente Jair Bolsonaro, por defender posições mais liberais e ponderadas, acabando por angariar até uma simpatia maior do eleitorado que a do titular da cadeira principal do Planalto, o general Mourão submergiu.

Tal qual um submarino, preferiu as águas profundas, onde aparentemente navega mais tranquilo e os radares e sonares não captam seus movimentos. Mistério é saber o que o teria feito adotar tal postura.

Três leituras podem ser feitas:

1 - Preferiu, por iniciativa própria ou estratégia política, realmente deixar o protagonismo da cena política com Bolsonaro por entender não somar pontos envidraçar os conflitos de ideias que os separa, se preservando para um futuro sem data marcada.

2 - Tal qual aquele zagueirão que vinha se notabilizando pelas bordoadas distribuídas aqui e ali, ganhou um cartão amarelo, do juiz-presidente, ou do comando da tropa, que por mais que não aprove algumas atitudes do capitão, respeita fielmente a hierarquia de poder e receava os rumos que esses conflitos externados na mídia pudessem comprometer o governo e essa hierarquia.

3 - Não houve absolutamente nada e o vice Mourão segue vice e pronto.

Qualquer que seja a opção verdadeira, importante registrar que os choques de ideias evidenciados nos primeiros 4 meses de governo serviram para evidenciar a visão de um e de outro, do Brasil e de temas relevantes nesse país, e o fim dos conflitos externos fez bem ao poder.

Mais do que nunca, o Brasil precisa unir forças para seguir adiante com as reformas e as propostas desenvolvimentistas traçadas pelo ministro Paulo Guedes e abraçadas pelo presidente Bolsonaro e na leitura mais simplória da questão vale aquela máxima: se não pode contribuir, pelo menos não atrapalhe.

Aguardemos, pois, para ver se a muda do vice Mourão já passou ou vai passar e ele voltará eloquente um dia desses, ou como dita as normas na caserna, foi enquadrado e alertado para se acomodar no espaço de vice e pronto. 

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