A sucessão municipal ainda engatinha

Paulo Roberto Sampaio


Tribuna da Bahia, Salvador
09/09/2019 22:52

   

A sucessão municipal de 2020 é um daqueles pleitos que ganha ares de misterioso pela cautelosa movimentação das pedras nesse tabuleiro de xadrez. Afora o vice-prefeito Bruno Reis, que conta com as bênçãos do prefeito ACM Neto para brigar por seu espaço, pilotando uma secretaria de grande visibilidade no âmbito da cidade, tudo mais segue encoberto numa névoa de suspense e dúvidas.

Bruno está nas ruas, becos e vielas num incansável corpo-a-corpo, onde procura vender a imagem de gestor moderno, ouvindo e dando retorno a cada pleito que lhe chega por essa imensa Salvador, mas procurando ganhar a simpatia, principalmente do eleitor suburbano. E aí vale, participar de pelada em quadra recém inaugurada, bater pênalti, com o cuidado de não fazer o gol, para não perder o voto do goleiro local e, quem sabe, tomar pinga em boteco "pé sujo" e carregar "menino cagado".

Isso sem contar as horas de sono perdidas em plena madrugada fria de verão nessa bela Salvador para admirar a instalação de pilares de concreta do BRT, ali perto do Itaigara. 

Para chegar à cadeira de seu guru, ACM Neto, vale tudo e mesmo não tendo um concorrente declarado ele sabe que dois nomes correm à margem nessa disputa e podem colocar as manguinhas de fora a qualquer momento: o hoje secretário de Saúde, Léo Prates, e o presidente da Câmara Municipal de Salvador, Geraldo Junior.

Léo é o protótipo do gestor pronto para qualquer desafio, como aliás está demonstrando na atual gestão, e do político carismático. Da área social onde começou o atual mandato de Neto, indo à área da Saúde, cuidou de arrumar a casa e transitar com impressionante habilidade política, mesmo entre adversários do seu grupo, como no caso a boa relação que mantém com o Secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas Bôas, numa demonstração de que, os interesses da cidade estão em primeiro lugar, superando qualquer barreira.

Isso tem lhe valido muitos elogios e pontos, num eventual embate futuro, ainda que não previsto.

Já o presidente da Câmara, Geraldo Junior, este trabalha silenciosamente (ou nem tanto) na surdina, angariando simpatias na Casa, na expectativa de aparecer como alternativa caso algo inesperado aconteça no voo de Bruno Reis. E para isso não mede esforços. Joga pesado e faz da trincheira política o seu front, embora não sinalize, pelo menos até aqui, se arvorar a voos mais altos. Está se cacifando, diria, esperando sua hora.

E no outro lado, como as coisas estão... Quem disser que sabe, está mentindo, blefando ou dando uma de Mãe Diná - ou como o pleito é municipal, de Madame Beatriz. O único nome a circular, ainda que com alguma resistência pelos ambiciosos puro-sangue do PT, PP e PSD é o do presidente do Bahia, Guilherme Bellintani. Reconhecido como gestor de alta performance em sua passagem pela prefeitura, na equipe de ACM Neto, no Bahia tem se superado.

Talvez o próprio desempenho do Bahia, em campo e fora dele, venha a sacramentar seu nome como candidato do governador Rui Costa e das oposições no campo municipal. Cauteloso e habilidoso, Bellintani até fala, mas de futebol. De política e principalmente de sua eventual candidatura à sucessão municipal, disfarça com inegável habilidade, certo de que vai haver hora certa para tudo e essa hora seria 2020.

É esperar para ver.


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