Não é por falta de candidato que Neto vai perder o sono

Paulo Roberto Sampaio


Tribuna da Bahia, Salvador
08/10/2019 11:21

   

Além da boa gestão à frente da prefeitura de Salvador, que o coloca num patamar elevado como influenciador no voto do eleitor na capital, na sucessão municipal do ano que vem, não é por falta de nome para sucedê-lo que o prefeito ACM Neto vai perder o sono.

Seu candidato preferido já está a princípio definido e só não anunciado oficialmente porque na política há certos rituais que devem ser cumpridos - um deles é só oficializar candidaturas no ano da eleição, ou seja no próximo - até por uma questão de prudência e de confundir o adversário.

Por conta desse protocolo, palavrinha que está bem na moda, até no futebol, o nome do vice-prefeito e super-secretário da infraestrutura municipal, Bruno Reis, só será ungido em 2020.

Até lá mais algumas pesquisas, qualitativas e quantitativas, haverão de pousar sobre a mesa do prefeito para sacramentar o acerto da escolha.

Enquanto isso, Bruno ganha tempo para fortalecer sua musculatura eleitoral. A ele Neto praticamente passou as chaves da cidade, como forma de prestígio e, por que não, uma espécie de teste de habilidade na gestão das obras, praticamente todas idealizadas por ele, Neto, mas tocadas e muitas já finalizadas, por Bruno.

Num passado recente e melhor ser esquecido, foi mais ou menos o que Lula fez com Dilma, por ele denominada de mãe do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), numa forma de lhe dar visibilidade e mostrar sua competência como gestora para almejar a presidência da República. Aqui Bruno está em outro patamar e mesmo que quisesse errar muito não conseguiria superar Dilma.

Bom, estaria então definida uma das peças no tabuleiro municipal para 2020, justo a ser jogada por Neto? Aparentemente sim, mas por tudo que fez nesses 7 anos de gestão à frente da prefeitura, ele acabou, assim como o avô, o ACM original, revelando quadros e um deles ganha de forma bem natural luz própria: o hoje secretário de Saúde do Município, Léo Prates, entrevistado de ontem aqui na Tribuna.

Fiel aliado de Neto a quem credita sua introdução na vida pública, embora seja alguns aninhos mais velho do que ele, Léo tornou-se uma espécie de coringa. Eleito vereador, presidiu com muito brilho a Câmara Municipal. Eleito deputado estadual, quase nem teve tempo de mostrar suas propostas para o estado, guindado que foi a assumir a pasta de Ação Social do município, pela reconhecida habilidade de lidar com o setor, neste caso, dom herdado de D. Rosário Magalhães, mãe do prefeito, por quem tem um carinho especial e a quem cita sempre que pode.

Da área social foi convocado para a delicada pasta da Saúde, um enorme desafio numa cidade tão carente de serviços neste área e com a maior tranquilidade admite que um dos grandes incentivadores para que assumisse a pasta foi o Secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas Boas, adversário político, mas algo que Prates nunca tomou por obstáculo, tanto que a relação entre eles é a mais cordial possível.

Inaugura então o gestor da saúde municipal uma era de cordialidade e respeito entre diferentes e que só tem a trazer benefícios para esta querida Salvador. Até porque, alerta Léo de forma a nos levar a uma reflexão: "a cidade no próximo ano vai ter que discutir o futuro e não o seu passado".

Constrói a imagem de um político moderno, perfil ainda raro na política brasileira. E não é à toa que, por conta disso, esteja sendo cortejado até pelo presidenciável Ciro Gomes para ser o candidato do seu partido, o PDT, na sucessão em Salvador. Algo improvável, num primeiro instante, por conta de uma palavrinha mágica que Léo não abre mão. Aliás, uma, não: duas. Compromisso e lealdade. Compromisso em tudo que firma e lealdade ao prefeito ACM Neto. 


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